A resseguradora francesa Scor, quinta maior do mundo, anunciou oficialmente que se instalará no Brasil como resseguradora admitida, ou seja, com escritório de representação no Rio de Janeiro e em São Paulo. O grupo avaliou operar como uma resseguradora local, com abertura de uma empresa com capital mínimo de R$ 60 milhões.
“A falta de profissionais especializados em resseguro e como se comportarão os competidores neste inicio de abertura do setor nos fez ser mais conservadores e acabamos optando por iniciarmos como admitidos”, diz José Carlos Cardoso, representante da Scor no Brasil, que participa da 10 Conferencia Latino Americana de Seguro em Energia, promovida pela Aon, em Buenos Aires, Argentina.
Segundo ele, nada impede o grupo de vir a ser um ressegurador local como IRB Brasil Re, Munich Re e J.Malucelli Re. “Dependendo do comportamento do mercado, podemos mudar nossa estratégia. Mas inicialmente, por não entrarmos em guerra de preço pela nossa política de subscrição técnica, disputaremos como admitidos”, explica.
Além da Scor, Swiss Re e Lloyd”s of London já anunciaram que atuarão no Brasil como resseguradores admitidos.
Investimentos
Para atuar como admitido, o investimento do grupo será de US$ 5 milhões, além de recursos que serão utilizados na ampliação do escritório onde está instalada há mais de 12 anos, contratação de funcionários e treinamento de profissionais. Hoje a Scor conta com cinco funcionários e esta contratando outros quatro, informa Cardoso.
As principais áreas de atuação do grupo francês no Brasil são vida, agrícola, riscos empresariais, riscos de engenharia e garantias financeiras.
Os resultados anuais do grupo serão divulgados no dia 14. No ano passado, a Scor comprou a Converium Re, resseguradora do grupo Zurich Re que durou apenas quatro anos.
Em 2002, o preço do resseguro estava nas alturas em razão dos prejuízos causados pelos atentados de 11 de setembro e também devido à crise gerada pelas fraudes contábeis em grandes empresas como Enron e Xerox, entre outras. Uma solução encontrada pela seguradora suíça Zurich para contornar a alta dos custos decorrente deste eventos foi a realização de uma oferta pública de 1,7 bilhão de ações e a criação da Converium.
No entanto, a atuação de uma mesma empresa em resseguro e seguro cria um sério conflito, pois as seguradoras não querem comprar resseguro de um concorrente, que terá acesso a detalhes do contrato. Isso, aliado a perdas com ativos financeiros, fez com que a Converium anunciasse uma necessidade de aumento de capital de US$ 400 milhões. Os acionistas aprovaram. Em março deste ano, quando voltou a ter rating A-, classificação exigida pelas seguradoras para ter uma resseguradora como parceira, a concorrente Scor Re fez uma oferta hostil de compra.
Até junho, a diretoria da Converium tentou evitar a aquisição, recomendando aos acionistas que não aceitassem os termos da oferta. Mas a Scor contra-atacou e elevou o valor da oferta, vencendo a resistência dos acionistas, criando assim uma única empresa.
A Scor entrou no Brasil em 1997, com sede no Rio. A sua operação era focada em contratos facultativos, que excediam a capacidade do IRB Brasil Re, único autorizado a operar no País até abril deste ano, quando o mercado poderá operar livremente.
A repórter viajou a convite da Aon (Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados – Pág. 2)(Denise Bueno)

