O avanço dos roubos de iPhones em São Paulo tem redesenhado o mapa da criminalidade na capital, com crescimento expressivo em bairros da Zona Sul, enquanto regiões centrais registram queda nas ocorrências. Dados do jornal O Globo mostram que distritos como Jardim Herculano, Parque Santo Antônio e Capão Redondo concentram altas relevantes, indicando uma migração dos crimes para áreas periféricas, ao mesmo tempo em que ações de reforço policial ajudam a reduzir os índices no Centro expandido. Diante desse cenário, o impacto no mercado de seguros já começa a ser observado.
Ao CQCS, Eduardo Gama, corretor de seguros e professor da Escola de Negócios e Seguros (ENS), explica que a localização tem papel central na formação de preço das apólices. “O âmbito geográfico de um risco altera diretamente o cálculo atuarial das seguradoras, portanto, o preço de um seguro é definido, em grande parte, pelo índice de sinistralidade de uma determinada região. Com o aumento de roubos em áreas como Jardim Herculano e Capão Redondo, usuários dessas regiões poderão enfrentar aumento no prêmio, enquanto a queda no Centro pode, no longo prazo, estabilizar ou até reduzir custos.”
Segundo o especialista, o aumento da sinistralidade também pode levar a mudanças na aceitação dos riscos por parte das seguradoras. Ele afirma que o cenário pode tornar o mercado mais restritivo em determinadas regiões. “O aumento de sinistros em regiões periféricas pode levar as seguradoras a adotarem posturas mais conservadoras. Algumas podem limitar novos contratos em determinados CEPs, onde a frequência de roubos excede a rentabilidade da carteira, além de tornar a aceitação mais rigorosa, priorizando aparelhos novos e reduzindo a exposição ao mercado de peças de modelos antigos.”
Outro ponto de atenção está nas condições das apólices, que podem se tornar mais restritivas conforme o risco aumenta. Eduardo Gama destaca que o perfil dos iPhones influencia diretamente franquias e indenizações. “Por ser um produto de fácil liquidez e alto valor, o iPhone exige ajustes estruturais na apólice. As seguradoras tendem a elevar a franquia para evitar acionamentos frequentes, que pode chegar a 25% ou 30% em áreas de maior risco, enquanto o limite de indenização é ajustado com base no valor de mercado para evitar distorções.”
Além disso, a exigência de medidas de segurança por parte dos usuários deve ganhar força como condição para manutenção da cobertura. O especialista ressalta que a tecnologia passa a ser aliada na mitigação de riscos. “As seguradoras podem exigir a ativação de recursos nativos, como o ‘Modo de Proteção de Dispositivo Roubado’ e o ‘Buscar iPhone’, além da adoção de autenticação em duas etapas e aplicativos de segurança. A apólice também pode prever exclusões em casos de negligência, como deixar o aparelho exposto em locais públicos, tornando os critérios de indenização mais rigorosos.”

