O painel “Produtos e Serviços Ampliando o Valor do Seguro”, realizado no CQCS Inovação 2025, reuniu líderes do setor para discutir como o mercado de seguros está evoluindo para além das apólices tradicionais. Apresentado por Daniel Pita, diretor-presidente da Allianz Partners Brasil e América Latina, Eduardo Borges, head da Maxpar Brasil e Colômbia, e Fábio Vasconcelos, diretor-presidente da BP Seguradora. Os executivos apresentaram como as assistências e serviços complementares estão tornando o seguro mais tangível, relevante e presente no cotidiano dos clientes.
Durante o encontro, os palestrantes ressaltaram que o conceito de valor no seguro está passando por uma transformação profunda. O cliente atual busca mais do que proteção financeira: quer conveniência, rapidez e uma experiência de cuidado contínuo.
Para Daniel Pita, o grande desafio do setor é fazer com que o consumidor perceba o seguro não apenas como uma despesa, mas como um serviço de apoio constante. “O seguro vai muito além da indenização. Ele deve estar presente durante todo o processo de prevenção e atendimento ao cliente”, afirmou.
Pita destacou ainda o papel das assistências e do “Embedded Insurance” na criação de uma relação mais próxima e frequente entre seguradoras e segurados. “Estamos em um momento de mudança de paradigma. As empresas estão buscando dar mais valor aos seguros integrados nas soluções de produtos e serviços, criando uma experiência contínua para o cliente”, disse. Segundo o executivo, o diferencial competitivo do futuro “não será de quem paga mais rápido, mas de quem entrega uma experiência de valor e empatia em cada interação”.
Para Eduardo Borges, o serviço de assistência é hoje uma das ferramentas mais potentes de diferenciação, fidelização e geração de valor no mercado segurador. “Quando somamos todos os serviços de assistência, a frequência de uso chega facilmente a 40%, contra apenas 6% de sinistros de casco. Isso mostra o quanto o cliente interage mais com o serviço do que com o seguro em si”, explicou, observando que o seguro, antes associado apenas a grandes sinistros, passou a ser percebido como um serviço de cuidado contínuo. “O segurado sente que a sua companhia está presente no dia a dia, resolvendo pequenos danos, oferecendo conveniência e suporte. É essa percepção que muda o posicionamento do seguro, tornando-o algo positivo e acessível”, destacou.
O executivo também apontou o potencial de crescimento das assistências voltadas aos danos cotidianos, que ainda têm baixa penetração no mercado. “Hoje, produtos como lataria e pintura ainda estão em 30% da base e roda e suspensão em 20%. Existe um oceano de oportunidades para crescer e desenvolver novas soluções junto com o mercado”, completou.
Na visão de Fábio Vasconcelos, ampliar o valor do seguro passa por entender o cliente e oferecer produtos e serviços adequados à sua realidade financeira. Ele explicou que o setor precisa adotar uma visão de customer centric, com foco em aumentar o tempo de relacionamento e a rentabilidade de cada cliente. “O custo de aquisição está cada vez mais alto, e a única forma sustentável de crescer é manter o cliente na base e vender mais produtos e serviços que façam sentido para ele”, afirmou.
Vasconcelos reforçou que a inclusão de novas camadas de assistência pode reduzir custos operacionais e aumentar a satisfação. “As assistências diminuem o custo das apólices e mantêm o cliente satisfeito, porque ele tem a sensação de estar sendo cuidado”, disse. Para o executivo, o caminho para o crescimento está na criação de produtos acessíveis e personalizados.
“Precisamos entender a necessidade de cada público e desenvolver soluções que caibam no bolso e na realidade de cada classe. A classe A busca produtos premium; a B e a C querem soluções com boa relação custo-benefício; e a D precisa de opções financeiramente viáveis, mas que realmente protejam. É aí que o seguro ganha valor e se torna parte do dia a dia das pessoas”, concluiu.

