Notícias | 10 de dezembro de 2004 | Fonte: Fenaseg

Pesquisa KPMG: fraude corporativa ameaça a maioria das empresas no Brasil

Embora os números indiquem que a ocorrência de fraudes no Brasil diminuiu nos últimos dois anos, não há muito que comemorar. Esta é uma das conclusões da terceira edição da pesquisa bienal sobre fraudes no Brasil, realizada pela KPMG, com base em questionário detalhado enviado para cerca de mil das maiores empresas no país. Segundo o estudo, 69% dos entrevistados afirmaram ter sofrido algum tipo de fraude neste período – um dado alarmante, que comprova um nível ainda extremamente alto deste tipo de crime no Brasil. Em relação aos anos anteriores, o índice era de 76% em 2002 e de 81% em 2000. “O desconhecimento de fraudes em uma organização não significa sua inexistência. Em virtude da impossibilidade de algumas empresas quantificarem suas experiências ou, ainda considerando as numerosas fraudes que passam despercebidas, é possível presumir que tais números representem apenas uma parcela do total real de perdas sofridas pelas companhias no Brasil”, afirma Werner Scharrer, sócio da KPMG e coordenador da pesquisa. “Nosso objetivo com o estudo é alertar as empresas sobre o problema e sobre a importância das práticas de prevenção. Além disso, a pesquisa nos possibilita acompanhar a evolução do assunto no mercado brasileiro”, acrescenta. Grande parte dos participantes (74%) acredita que a fraude já é, ou pode tornar-se, um grande problema para sua empresa. Isso ressalta a importância da melhoria dos controles internos, apontados por 84% dos respondentes como o principal meio de diminuição da possibilidade de fraude, já que sua eficiência costuma contribuir para a detecção de problemas. As ações que geraram maiores perdas, segundo o estudo de 2004, foram falsificações de cheques ou documentos, além de roubo de ativos, alteração de contas de despesas e notas “frias”. Foram registradas perdas inferiores a R$ 1 milhão por ação fraudulenta em 83% dos casos, mas a recuperação do dinheiro não foi possível em 49% dos relatos. Seu impacto não se limita a perdas financeiras: o ato fraudulento também pode deteriorar o ambiente de trabalho, afetar a reputação de toda a entidade e corroer lentamente as bases organizacionais e administrativas.

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