A Superintendência de Seguros Privados (Susep) começou a receber os primeiros projetos para a criação de cooperativas de seguros no país. A movimentação ocorre após a entrada em vigor da regulamentação em maio de 2026, permitindo que essas organizações operem diretamente no setor. O objetivo é reduzir o déficit de proteção patrimonial, como na frota de veículos, onde 70% dos carros não possuem cobertura.
Como funcionará o novo modelo de cooperativas no mercado de seguros?
Diferente do que ocorre hoje, onde as cooperativas de crédito atuam apenas como revendedoras de apólices de grandes empresas, o novo marco legal permite que elas criem suas próprias seguradoras. Isso significa que a cooperativa terá CNPJ, capital e governança próprios, assumindo o risco das operações. Para o consumidor, a principal mudança é que ele deixa de ser apenas um cliente para se tornar sócio do negócio. Como cooperado, ele participa das decisões e pode receber parte dos resultados financeiros positivos, caso a organização apresente lucro após cumprir suas obrigações.
Quais são as etapas e os prazos para uma cooperativa começar a vender seguros?
O caminho para colocar um produto no mercado é rigoroso e pode levar cerca de um ano. O processo é dividido em duas fases principais na Susep: a autorização e a homologação, cada uma com prazo de até 120 dias para análise. Entre essas etapas, o grupo interessado tem 90 dias para realizar atos societários e 30 dias para pedir a validação final. Durante esse período, os proponentes passam por entrevistas e precisam provar que possuem estrutura técnica e financeira capaz de administrar os riscos e garantir o pagamento de indenizações aos futuros associados.
Por que o setor aposta no cooperativismo para atrair quem não tem seguro?
A estratégia é focar em um ‘oceano azul’, ou seja, em pessoas e pequenos negócios que hoje estão fora do mercado tradicional por causa dos preços ou da burocracia. O cooperativismo consegue reunir grupos com necessidades muito específicas, como motoristas de aplicativo, taxistas e produtores rurais. Para esses profissionais, um carro parado após um acidente é sinônimo de dias sem renda. As cooperativas podem criar produtos personalizados que atendam essas dores específicas, oferecendo proteção a custos mais acessíveis e democratizando o acesso a um serviço essencial.
Qual é a expectativa para o início das operações e o papel das seguradoras?
Embora a Susep não defina uma data exata, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) trabalha com a possibilidade das primeiras autorizações ocorrerem em 2027. Curiosamente, as grandes seguradoras tradicionais não estão sendo vistas apenas como concorrentes, mas como potenciais parceiras. Muitas empresas já estabelecidas têm procurado a OCB para oferecer suporte tecnológico e redes de atendimento às novas cooperativas. A prioridade atual não é a quantidade de novas operadoras, mas sim a criação de instituições robustas e financeiramente viáveis para garantir a segurança do sistema.

