A entrada em vigor da verificação automática dos seguros obrigatórios para transportadores rodoviários de cargas mudou a relação do setor com a proteção securitária. Desde julho de 2026, a comprovação dos seguros RCTR-C, RC-DC e RC-V passou a integrar os processos de inscrição e manutenção do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), aumentando a busca dos transportadores por informações sobre as coberturas e criando novas oportunidades de negócios para os corretores.
De acordo com Nara Assunção, Head de Seguros Logísticos e especialista da C6 Seg, a principal mudança percebida pela companhia está no comportamento dos transportadores. “O seguro deixou de ser visto apenas como uma exigência contratual do embarcador e passou a fazer parte da própria regularidade operacional do transportador”, afirmou.
Segundo ela, a vinculação da verificação dos seguros obrigatórios ao RNTRC provocou um aumento na procura por orientação sobre o RCTR-C, o RC-DC e o RC-V. Mais do que saber o preço das apólices, os transportadores passaram a buscar informações sobre quais coberturas precisam contratar, se os seguros que já possuem atendem às exigências e como manter a operação regular diante da legislação e das exigências da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
“Isso trouxe o seguro definitivamente como uma ferramenta da gestão do transportador”, destacou Nara.
Nesse cenário, um dos principais desafios está justamente em compreender as diferenças entre os seguros obrigatórios. Para a especialista, os transportadores precisam entender que não se trata simplesmente da contratação de três apólices, já que cada uma está relacionada a responsabilidades e riscos distintos.
“O RCTR-C, o RC-DC e o RC-V protegem riscos distintos. E para fazer uma contratação adequada, o corretor precisa conhecer a operação do transportador: quais cargas são transportadas, valores, rotas, frota própria ou terceiros, subcontratação, averbação e gerenciamento de risco”, explicou.
A complexidade da operação reforça, segundo Nara, a importância da atuação consultiva do corretor. Para ela, o profissional precisa ir além da apresentação de preços e produtos e compreender as características da operação para estruturar uma proteção compatível com os riscos envolvidos.
“Por isso, o papel do corretor é muito maior do que apresentar preço ou uma apólice qualquer. Ele precisa orientar o transportador e traduzir aquela operação logística em uma estrutura de seguros adequada para garantir o risco”, disse. “Antes de falar de produto, precisamos entender o risco.”
A nova dinâmica regulatória também pode representar uma oportunidade de prospecção para os corretores. Nara destaca que ainda existe um universo expressivo de transportadores que precisam estar adequados às exigências relacionadas aos seguros obrigatórios. Atualmente, segundo dados citados pela especialista, são mais de 900 mil transportadores remunerados de carga ativos cadastrados na ANTT e aptos a exercer a atividade.
Para a C6 Seg, entretanto, a oportunidade não está apenas na comercialização dos três seguros obrigatórios. A necessidade de adequação pode funcionar como uma porta de entrada para que o corretor conheça de maneira mais ampla a operação do transportador e identifique outras exposições.
“Mas a oportunidade não deve ser enxergada apenas como a venda dos três seguros obrigatórios. Eles podem ser a porta de entrada para conhecer o transportador e toda a estrutura da empresa”, afirmou Nara.
Ao analisar aspectos como frota, cargas, rotas, motoristas e características da operação, o corretor pode identificar outras necessidades de proteção e ampliar o relacionamento com o cliente. “Então, quem estudar o segmento, entender a operação do transportador e aprender a desmistificar o risco, terá condições não apenas de conquistar novos clientes, mas de construir uma carteira sólida e de longo prazo”, ressaltou.
Para Nara, a especialização no segmento é um diferencial para o profissional que pretende aproveitar o momento e transformar a nova exigência em relacionamento comercial duradouro.
“E eu gosto sempre de falar: seguro de transporte não é tão complicado assim. Quando o corretor entende quem está transportando, o que está sendo transportado, quais são as responsabilidades envolvidas e quais são os riscos daquela viagem, fica muito mais fácil construir a proteção adequada”, afirmou.
Nesse contexto, a especialista resume o papel do corretor diante do novo cenário: “A obrigação pode até abrir a porta, mas é a orientação do corretor que transforma essa obrigação em proteção de verdade”.

