Notícias | 25 de julho de 2003 | Fonte: Fenaseg

Mercado Segurador Brasileiro e a Fenaseg

Durante a programação de trabalho da Assembléia Geral da Fides (Federação Interamericana de Empresas de Seguros), que aconteceu recentemente em Santiago do Chile, tive a oportunidade de ministrar palestra sobre o mercado segurador brasileiro e a atuação da Fenaseg. Na ocasião, discorri sobre a evolução do seguro no Brasil, ressaltando como o comportamento da economia influi na atividade seguradora. Mostrei, por exemplo, que a inflação, na primeira metade dos anos 90, foi perniciosa para o desenvolvimento do seguro no Brasil. Mas com a estabilização da economia, a partir de 1994, esse quadro foi revertido. Assim, a participação do seguro no PIB brasileiro passou de menos de 1% para 2,7%, em 1995, chegando a 3,2% em 2001. Hoje, o Brasil é o maior mercado da América Latina, com 31% da arrecadação de todos os demais congêneres, sem considerar previdência privada e capitalização. As empresas do mercado segurador são investidoras institucionais e o seu crescimento tem efeitos de relevante interesse coletivo: gera mais emprego e mais renda; gera mais receita tributária para o Estado; aumenta a poupança do setor privado e, neste, o volume de investimentos produtivos; em suma, contribui para o desenvolvimento sócio-econômico do País.
O Brasil, segundo dados estatísticos da Sigma, além de 9ª economia do mundo, ocupou a 19ª colocação no ranking mundial de prêmios de seguros no ano 2000. Durante a palestra mostrei também a evolução dos ramos de seguro desde a década de 40, apresentando o mix de carteiras que o mercado brasileiro fechou no primeiro semestre de 2002. Embora o ramo de Automóveis continue na liderança do mercado brasileiro, com 28%, pode-se observar o crescimento significativo registrado pelo ramo Vida nesse período – 22%, o que o deixou bem próximo do de Saúde, que detém 22% da arrecadação nacional.
Outro dado destacado foi o volume de apólices de seguros que o mercado segurador brasileiro movimenta atualmente – R$ 74 bilhões, e o total de riqueza acumulada – R$ 7,853 bilhões. O potencial do mercado segurador brasileiro e a moderna globalização da economia figuram entre outros fatores que explicam e justificam o acentuado interesse de capitais externos em nosso mercado. Há entre nós, atualmente, 60 seguradoras de outros países. A participação de empresas de capital estrangeiro, na arrecadação nacional de prêmios, que era de 4% em 1994, evoluiu para cerca de 34% em 2001.
Em relação ao segmento de previdência complementar aberta e de capitalização ficou evidente o salto gigantesco que tiveram as contribuições e provisões técnicas em apenas seis anos: 645% e 845%, respectivamente. A previdência privada evoluiu de 1995 à 2001 de uma receita de R$ 1 bilhão para R$ 7,5 bilhões; e, em provisões técnicas (dada à força de acumulação de recursos dos seus planos de longo prazo), o salto foi de R$ 2 bilhões para R$ 21 bilhões.
Atualmente, este mercado está passando por reforma que tende a confinar a limites menos ousados, e mais apropriados, os seus planos de contribuições e de benefícios. A tendência agora é, pois, a de se abrirem espaços para um mercado de previdência privada, econômica e socialmente mais proveitoso para a comunidade nacional.
Os números do mercado de capitalização mostram que, entre 1995 e 2002, a receita passou de R$ 2,4 bilhões para R$ 4,8 bilhões; e as reservas técnicas, de quase R$ 2 bilhões para R$ 6,3 bilhões. Acredito que, em futuro próximo, e porque também no Brasil se instalou a tendência das economias desenvolvidas de incorporar produtos financeiros a planos de seguros, novos horizontes poderão ser abertos para a capitalização.
Em consonância com a transformação e desenvolvimento pelo qual passou o mercado segurador brasileiro desde 1992, a Fenaseg também vem sofrendo profundas transformações ao longo destes anos, adquirindo maior expressão junto ao mercado que representa e as autoridades governamentais de um modo em geral. Muitos são os serviços que a entidade presta às suas afiliadas – 120 empresas, entre companhias de seguradoras, de capitalização, escritórios de representação de resseguradores instalados no Brasil e resseguradoras que não têm representação no País.
A maioria desses serviços ( SISEG – Sisatema Integrado de Dados Técnicos de Seguros, RNS – Registro nacional de Sinistros, SNG – Sistema Nacional de Gravames, Central de Bônus, Sistema de Circularização Automática de Sinistros) estão direcionados ao combate da fraude no Brasil, que hoje consome de 15% a 20% dos sinistros pagos, que representam prejuízos da ordem de R$ 5 bilhões/ano. A Fenaseg contratou, recentemente, a consultoria norte-americana AT. Kearney para fazer um mapeamento da fraude no Brasil, de modo a se chegar a um produto integrado de combate à fraude. O combate à fraude depende da iniciativa conjunta das seguradoras, devendo ser fortalecido por parceria com o Poder Público.

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