Os planos de governo de Lula e Flávio Bolsonaro para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 apresentam propostas que podem ter relação com diferentes áreas do mercado de seguros. Entre os temas analisados nos documentos oficiais, o seguro rural é o que aparece de forma mais direta, enquanto questões como riscos climáticos, infraestrutura e ambiente regulatório estabelecem conexões indiretas com a atividade.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibiliza os planos apresentados pelas duas candidaturas e organiza as propostas por temas.
Seguro rural é principal ponto de convergência
Segundo o plano de governo registrado no TSE, Flávio Bolsonaro propõe ampliar o Seguro Rural, além de utilizar ferramentas de securitização e reorganização das dívidas do setor. A proposta aparece dentro da agenda dedicada ao agronegócio.
No programa de Lula, o seguro rural também aparece de forma explícita. De acordo com o documento registrado no TSE, a proposta é ampliar o acesso ao seguro rural para a agricultura familiar e fortalecer a política de seguro rural.
O programa de Lula também propõe a criação, em diálogo com o setor produtivo, de um instrumento para mitigar perdas sistêmicas decorrentes de quebras severas de safra.
Assim, embora os dois programas tratem do seguro rural, os documentos apresentam enfoques diferentes. No plano de Flávio, o instrumento está associado à previsibilidade para o produtor e a mecanismos de securitização e reorganização de dívidas. No de Lula, aparece ligado à agricultura familiar e à proteção diante de perdas severas na produção.
Risco climático ganha espaço
A questão climática é outro ponto que pode interessar diretamente ao mercado de seguros, principalmente pela relação com a atividade agropecuária.
Segundo o plano de Lula registrado no TSE, entre as medidas previstas estão ações de resiliência climática no campo, como monitoramento meteorológico, sistemas de alerta precoce, conservação do solo, agricultura de precisão e ampliação da irrigação.
O documento também relaciona a política de seguro rural à proteção contra perdas e prevê o desenvolvimento de mecanismos para enfrentar eventos capazes de provocar perdas sistêmicas nas safras.
No programa de Flávio Bolsonaro, a agenda para o setor rural também inclui medidas relacionadas à irrigação e à segurança hídrica, além de propostas ambientais como pagamento por serviços ambientais e mercado de carbono.
A conexão com seguros, neste caso, está principalmente na gestão dos riscos associados à produção rural e aos eventos climáticos. Os planos, porém, não apresentam uma proposta geral de seguro contra catástrofes para diferentes setores da economia.
Infraestrutura pode abrir novas frentes de risco
Os dois candidatos também apresentam propostas de investimentos em infraestrutura, tema que pode ter reflexos em modalidades de seguros voltadas a obras, transporte, energia e grandes projetos.
Segundo o plano de Lula registrado no TSE, a proposta inclui a continuidade e ampliação de investimentos em infraestrutura, com ações relacionadas a transporte, logística e energia.
No programa de Flávio Bolsonaro, aparecem propostas para ferrovias, hidrovias, logística, mobilidade urbana e energia, além da defesa da modernização de marcos regulatórios relacionados aos investimentos.
Os documentos não apresentam essas medidas como políticas específicas para o mercado de seguros. A relação com o setor decorre do próprio tipo de atividade econômica envolvida e dos riscos associados a projetos de infraestrutura.
A regulação é outro tema relevante para o mercado.
Segundo o plano registrado no TSE, Flávio Bolsonaro propõe medidas relacionadas à segurança jurídica, modernização de marcos regulatórios e revisão de normas infralegais, além de mudanças na estrutura e no funcionamento das agências reguladoras.
No programa de Lula, a regulação aparece inserida em uma agenda mais ampla de desenvolvimento econômico, infraestrutura e transformação ecológica.
Nenhum dos dois planos apresenta, contudo, uma proposta específica de reformulação da regulação do mercado de seguros.
O que os programas mostram para o setor
A análise dos documentos registrados no TSE indica que o seguro rural é a principal referência direta ao mercado de seguros nos dois programas. A diferença está na abordagem: enquanto Flávio Bolsonaro associa a ampliação do Seguro Rural a mecanismos de securitização e reorganização de dívidas, Lula relaciona o instrumento à agricultura familiar e à proteção contra perdas severas de produção.
Riscos climáticos e infraestrutura aparecem como temas que podem gerar impactos indiretos sobre diferentes modalidades de seguros, enquanto a discussão sobre regulação está presente principalmente no programa de Flávio, sem uma proposta específica para o setor.
Dessa forma, entre os temas apresentados pelos dois candidatos, agronegócio, clima, infraestrutura e ambiente regulatório são os principais pontos a serem acompanhados pelo mercado de seguros a partir de 2027, de acordo com o conteúdo dos planos de governo registrados no TSE.

