Notícias | 21 de maio de 2024 | Fonte: Insurtalks

Lições de ‘Bebê Rena’ sobre a Necessidade de Seguros Cibernéticos e Medidas Protetivas

Reprodução: Insurtalks

A série “Bebê Rena” da Netflix aborda a perseguição como um dos perigos da era digital, levantando questões como a invasão da privacidade. A trama segue a vida de Donny, que se torna alvo de Martha, uma stalker, que utiliza dispositivos eletrônicos para manter contato com seu alvo de forma obsessiva. O stalking é retratado como uma ameaça real e assustadora, destacando a importância de medidas protetivas tanto no mundo virtual quanto no mundo físico. 

A série é inspirada em um caso de stalking da vida real

Criada e protagonizada por Richard Gadd, a trama retrata a ligação entre um comediante e uma mulher que, ao desenvolver uma uma obsessão por ele, começa a persegui-lo. A série é inspirada em uma experiência de stalking real vivenciada por Gadd, que lidou com uma perseguição massiva pela mulher em questão, que costumava mandar inúmeras mensagens, assediando-o. Gadd destaca a diferença entre a representação glamourizada do stalking na televisão, que muitas vezes tende a ser “sexy”, e sua realidade como uma doença mental. Assim, apesar de “Bebê Rena” ser uma obra fictícia, sua narrativa captura a essência perturbadora dessas situações ao retratar os perigos enfrentados por indivíduos cuja privacidade é invadida e suas vidas são ameaçadas por pessoas que utilizam a tecnologia para atitudes perversas e até mesmo criminosas. Isso ressalta a urgência do tema abordado e destaca a importância de conscientizar o público sobre os perigos do stalking e da falta de proteção dos dados pessoais na era digital.

Medidas legais que incriminam ação de stalkers

Nos Estados Unidos, as leis relacionadas ao stalking variam de acordo com cada estado, mas geralmente envolvem ações criminais e medidas protetivas para as vítimas. O Departamento de Justiça dos EUA criminaliza comportamentos como perseguir uma pessoa, monitorar suas atividades, invadir sua privacidade, ameaçar ou assediar repetidamente alguém. As penalidades para o stalking podem incluir multas, prisão e ordens de restrição. No Brasil, a prática de stalking, conhecida como “perseguição obsessiva” , também é considerada crime. A Lei 14.132/2021 introduziu uma emenda ao Código Penal, estabelecendo o crime de perseguição. De acordo com essa lei, o ato de perseguir alguém repetidamente, utilizando qualquer meio, ameaçando sua integridade física ou psicológica, restringindo sua liberdade de movimento ou invadindo sua privacidade, será punido com reclusão de 6 meses a 2 anos, além de multa. 

Como o cenário de crimes cibernéticos e violações se aproximam com a prática criminosa de stalking

O cenário de crimes cibernéticos e violações de privacidade, junto com a prática criminosa de stalking, tal como retratado em “Bebê Rena”, representam ameaça à integridade das vítimas. Na série, a stalker consegue obter informações pessoais do perseguido e utiliza de ferramentas digitais, desrespeitando sua segurança emocional e dados privados. Esse enredo ecoa a realidade, onde indivíduos mal-intencionados podem explorar vulnerabilidades digitais para monitorar, assediar e ameaçar suas vítimas de maneira invasiva. A prática do stalking cibernético envolve o uso de tecnologias digitais, como redes sociais, aplicativos de mensagens e geolocalização, para perseguir e monitorar as atividades de uma pessoa sem seu consentimento. Em ambos os casos, a invasão de privacidade é uma característica central. Nos crimes cibernéticos, os invasores podem acessar ilegalmente informações pessoais das vítimas, incluindo endereços, números de telefone e até mesmo imagens íntimas. Da mesma forma, os stalkers utilizam essas informações para monitorar e perseguir suas vítimas, criando uma sensação de vulnerabilidade e medo. Essas situações destacam a importância de combater esses tipos de crimes e proteger as vítimas contra o assédio, invasão de privacidade e manipulação de informações. 

Empresa é alvo de crime cibernético e situação revela complexidade em estabelecer medidas robustas de segurança

Um grupo que realizou um ataque cibernético à Change Healthcare conseguiu publicar informações privadas de pacientes, conforme ameaçado. O RansomHub divulgou vários arquivos contendo dados pessoais, registros de seguros e informações médicas. Apesar de a Change Healthcare ter supostamente pago um resgate anterior, seus sistemas de TI permaneceram offline, resultando em atrasos no processamento de sinistros nos EUA. Ken Durham, diretor de ameaças cibernéticas da Unidade de Pesquisa de Ameaças Qualys, explicou que essa situação demonstra a complexidade dos pagamentos de ransomware e como as empresas que cedem a chantagistas podem se tornar alvos fáceis para ataques repetidos de extorsão. 

Relatório indicou aumento de cibercrimes 

O Relatório de Crimes na Internet de 2023 do FBI revelou um aumento significativo nas reclamações de fraudes online, quase dobrando de 467.361 em 2019 para mais de 880.000 em 2023. As perdas financeiras decorrentes de crimes cibernéticos também cresceram consideravelmente, passando de US$3,5 bilhões para US$12,5 bilhões. O comprometimento de e-mails comerciais sozinho custou aos americanos mais de US$2,9 bilhões em 2023. No relatório de 2023, o Internet Crime Complaint Center (IC3) enfatizou o uso de autenticação de dois fatores ou multifatores para maior segurança cibernética e a implementação de procedimentos que verificam solicitações de compra e pagamentos fora da correspondência por e-mail. Além disso, destacou setores como saúde, manufatura crítica e instalações governamentais como os mais vulneráveis a ataques de ransomware. 

O estado atual do mercado de seguro cibernético

O Insurance Thought Leadership mostrou, em matéria acerca do avanço na segurança cibernética, que em 2024 o mercado de seguros cibernéticos já atingiu US$14 bilhões e é projetado alcançar US$52 bilhões até 2030, com uma taxa de crescimento anual de quase 25%. Com o avanço tecnológico, as seguradoras estão integrando soluções de segurança cibernética e gestão de riscos em suas apólices. O ransomware se destaca como a principal causa de perdas em seguros cibernéticos, uma vez que os cibercriminosos estão adotando táticas cada vez mais sofisticadas. “Consequentemente, as empresas devem adotar uma estratégia de defesa multicamadas, incluindo cópias de segurança regulares de dados, proteção robusta de terminais e formação de sensibilização dos funcionários, para mitigar o risco de infeções por ransomware” – reflete o portal.

Tendências na evolução do seguro cibernético

Jon Oltsik, fundador do serviço de segurança cibernética Enterprise Strategy Group da TechTarget, alegou que o ranmsonware é a resposta óbvia para o crescimento expressivo no segmento de seguros cibernéticos. No entanto, ele diz: “acredito que a proliferação do seguro cibernético é também uma função da crescente compreensão, a nível executivo e do conselho de administração, do risco cibernético e do seu papel na gestão e governação do risco empresarial”.

Ele ainda comenta: “Vejo algumas inovações promissoras no mercado. À medida que estas tendências continuarem, o seguro cibernético irá se tornar um centro de gravidade crescente, influenciando os programas de segurança empresarial, os mercados de tecnologia de segurança e o comportamento de compra”. O executivo destaca 5 tendências que contribuem para o aumento no setor. Sendo elas:

1 – Utilização crescente de tecnologias para avaliação contínua de riscos: As seguradoras estão integrando soluções de segurança cibernética em suas apólices, utilizando ferramentas para gerenciamento de superfície de ataque, vulnerabilidades e ativos de segurança para ajustar as taxas de prêmio de forma dinâmica.
2 – Adoção acelerada de confiança zero: Com a expansão da superfície de ataque, as seguradoras estão promovendo tecnologias de confiança zero, como autenticação multifatorial (MFA) e análise de comportamento de usuários, especialmente em setores críticos como saúde e manufatura.
3 – Popularização da tecnologia de engano: Espera-se uma maior adoção da tecnologia de engano, com seguradoras incentivando clientes a implementar medidas de defesa adicionais, como migalhas sintéticas e engodos, para desencorajar hackers.
4 – Aliança crescente entre seguradoras cibernéticas e prestadores de serviços: Seguradoras estão buscando parcerias com prestadores de serviços de segurança gerenciados (MSSPs) para garantir que seus clientes tenham práticas sólidas de segurança cibernética, detecção de ameaças e resposta a incidentes.
5 – Estratégias de canal entre seguradoras cibernéticas e fornecedores de tecnologia: As seguradoras estão estabelecendo relações com fornecedores de tecnologia para oferecer soluções de segurança cibernética aos clientes, priorizando a qualidade da implementação e gestão das ferramentas de segurança.

Estratégias de canal entre seguradoras cibernéticas e fornecedores de tecnologia: As seguradoras estão estabelecendo relações com fornecedores de tecnologia para oferecer soluções de segurança cibernética aos clientes, priorizando a qualidade da implementação e gestão das ferramentas de segurança.

Para Oltsik, essas tendências têm a capacidade de transformar o futuro das seguradoras cibernéticas, conferindo-lhes maior influência na indústria e determinando quem se destaca no cenário da segurança cibernética.

É preciso fortalecer a segurança cibernética e fornecer apoio e recursos às vítimas de stalking e crimes cibernéticos

O mundo digital, embora traga inúmeros benefícios às entidades e pessoas que dele usufruem, pode também vir carregado de práticas nocivas, advindas dos seus recursos tecnológicos. A série “Bebê Rena” serve como um lembrete vívido dos perigos da falta de privacidade e segurança online, especialmente no contexto do stalking cibernético. À medida que a tecnologia se transforma e se integra cada dia mais às atividades cotidianas das pessoas, torna-se inegável o estabelecimento de práticas robustas de segurança cibernética para proteger a integridade dos indivíduos. Em tempos nos quais a privacidade é cada vez mais vulnerável, os seguros cibernéticos possuem uma função primordial na proteção contra ameaças digitais e na promoção de práticas de segurança proativas. É importante que haja rigor no estabelecimento de uma legislação adequada, para o fortalecimento da segurança cibernética e fornecimento de apoio e recursos às vítimas de stalking e crimes cibernéticos. A partir de uma abordagem multifacetada para a defesa cibernética, as empresas podem, além de proteger seus dados e reputação, proporcionar maior confiança e segurança aos seus clientes.

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