De acordo com informações publicadas pelo jornal O Globo, o roubo de cerca de R$ 9 milhões em joias em apenas 70 segundos, em uma joalheria na Califórnia, voltou a expor um dos pontos mais sensíveis do mercado de seguros: a dificuldade de proteção para bens de alto valor, alta liquidez e fácil dispersão.
O caso, que envolveu mais de 20 suspeitos e resultou na subtração de grande parte do estoque da loja, ilustra na prática o tipo de risco que seguradoras ao redor do mundo tratam com extrema cautela. A ação rápida, coordenada e com alto poder de dano reforça um cenário em que perdas milionárias podem ocorrer em questão de segundos.
É justamente esse contexto que torna o seguro para joalherias um dos mais complexos do mercado.
Segundo Sérgio Ricardo, a combinação entre valor elevado, portabilidade e facilidade de revenda das peças impõe barreiras relevantes para a aceitação do risco pelas seguradoras.
“Os seguros para joalherias são de difícil colocação no mundo e, também, no Brasil. Por aqui, há poucos corretores especializados operando com esses seguros e reduzidas opções de seguradores com apetite para a subscrição dos riscos”, afirma.
De acordo com o especialista, diferentemente de seguros mais tradicionais, a contratação nesse segmento exige um nível técnico elevado e uma análise detalhada de todas as exposições envolvidas.
“Esses seguros são subscritos em riscos diversos, são muito técnicos, com a necessidade de preenchimento de extensos questionários para detalhar todas as exposições, análise de sinistralidade pretérita”, explica.
Na prática, isso significa que seguradoras avaliam desde o histórico de perdas até a estrutura operacional da empresa, incluindo rotinas internas e processos de controle.
Além disso, há exigências rigorosas relacionadas à prevenção.
“Há também exigência de gerenciamento de riscos de alto nível, segurança ativa e passiva, além de muita tecnologia embarcada”, acrescenta.
Isso envolve sistemas de monitoramento, cofres especializados, protocolos de transporte e até estratégias para mitigar perdas em caso de eventos extremos como o ocorrido na Califórnia.
Sérgio Ricardo destaca que esse padrão não é exclusivo do setor joalheiro, mas se estende a outros mercados com características semelhantes.
“Aliás, todo o acima também é praxe para o mercado de arte e valores”, ressalta.
O episódio reforça uma lógica já consolidada no setor. Quando o produto segurado concentra alto valor em pequenos volumes, a análise de risco deixa de ser apenas uma etapa técnica e passa a ser o principal fator determinante para a viabilidade da cobertura.

