Notícias | 13 de novembro de 2003 | Fonte: Gazeta Mercantil

IRB renova contrato de riscos industriais

O IRB-Brasil Re está na reta final da renegociação da principal apólice automática da resseguradora no mercado externo. Trata-se do contrato de “property”, que cobre o patrimônio físico das empresas e também de perdas financeiras decorrentes de danos causados por incêndio e acidentes.
O risco máximo que o IRB pode aceitar no contrato ficou em US$ 200 milhões, US$ 40 milhões a menos do que o contrato anterior aos atentados de 11 de setembro de 2001. Segundo Luiz Lucena, vice presidente comercial da resseguradora, o valor a ser pago pelo IRB, de US$ 26 milhões, é 20% menor do que os US$ 32 milhões desembolsados no ano passado. Lucena disse que se cogitou elevar a cifra para US$ 240 milhões novamente, mas o preço não compensava. A redução estimada com o fechamento do contrato se deve, principalmente, a uma maior exposição do ressegurador ao risco.
Por não ter uma boa experiência com o contrato anterior, o IRB solicitou aos corretores que apresentassem novos modelos de contratos. Os brokers trouxeram três opções. Um contrato semelhante ao anterior; um segundo subdividindo o risco em duas partes; e um último onde todos os riscos aglutinavam-se num único contrato. O primeiro foi descartado, pois o IRB estava insatisfeito com o contrato anterior. O terceiro foi recusado em função do preço elevado. A opção do IRB foi pelo contrato com duas “torres”, um termo considerado até mesmo inadequado pelo segmento, por lembrar o maior prejuízo do setor com os atentados às torres gêmeas.
A “torre A” cobre riscos de até US$ 40 milhões e a “torre B” assume contratos com importância segurada entre US$ 41 milhões e US$ 200 milhões. No contrato anterior para riscos até US$ 40 milhões, o valor da franquia era de US$ 7,5 milhões e acima disso de US$ 5 milhões. Com o novo contrato, o IRB passa a assumir risco de até US$ 10 milhões. Já na “torre B”, a franquia do IRB passou de US$ 12,5 milhões para US$ 10 milhões. O benefício com a redução de US$ 2,5 milhões na torre B é apenas para riscos que hoje vierem a exceder US$ 40 milhões em importância segurada. Ou seja, apesar da complexa engenharia montada, a exposição do IRB foi mantida como no contratado anterior, pois o ressegurador tem um custo maior de US$ 2,5 milhões na franquia da torre A e uma economia do mesmo valor na franquia da torre B.
Em paralelo, há outro contrato de quotas inserido em cada “torre”, que nada mais é do que a distribuição do risco proporcional, tendo os dois lados uma divisão tanto da lucratividade, como da perda e do prêmio. Nesta subdivisão proporcional, o IRB repassará 35% dos riscos assumidos na torre A para os resseguradores proporcionais e 65% para os não proporcionais. Se precisar pagar uma indenização de US$ 40 milhões, por exemplo, o grupo proporcional pagará US$ 14 milhões e o não-proporcional, US$ 26 milhões, uma vez que a franquia do IRB é de US$ 10 milhões para a parte não-proporcional. Já na torre B do contrato de quotas, o IRB havia estipulado cobertura não-proporcional de 100%, mas acabou por pedir um adendo ao contrato criando uma seção proporcional como no da torre A. Só que em vez de trabalhar com percentuais de participação no risco, optou por adotar valores absolutos.
Dessa forma, os resseguradores enquadrados no risco proporcional do contrato da torre B participam com US$ 14 milhões fixos, seja num risco acima de US$ 40 milhões ou num de US$ 200 milhões, variando, portanto, sua participação entre 35% e 7% do risco. O executivo do IRB acredita que a solicitação em nada mudará o preço. “São apenas dois ajustes. Não faz sentido prejudicar o todo por isso”, argumentou Sebastião Pena, gerente de riscos property do IRB.
No entanto, executivos envolvidos no negócio estavam recalculando o preço cotado, pois haverá uma queda no prêmio global cedido à torre B. Retenção de riscos Como a tentativa de aumentar a capacidade de retenção de riscos do mercado interno com a criação, em 2002, do Consórcio de Riscos Facultativos (CRF) não decolou, o IRB prepara uma nova ofensiva para forçar as seguradoras a assumir uma parcela maior do risco. “A idéia é que as que retiverem um percentual maior de risco, dentro de seus limites, terão uma taxa mais competitiva do que as que mantiverem o nível de retenção abaixo de suas capacidades”, acrescentou o técnico. De acordo com Lucena, a apresentação feita pelo IRB aos resseguradores de Nova York, Bermudas e Londres durou 15 dias. “Temos o segundo maior contrato do mundo – o primeiro é o da Índia, com US$ 300 milhões de capacidade”, informou. A parte proporcional do contrato é hoje liderada pelos resseguradores XL Re e Transatlantic Re e a parte não-proporcional pela Swiss Re. As corretoras JLT e Aon Relideraram a colocação do risco das partes não-proporcionais do contrato no mercado internacional.

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