Notícias | 9 de junho de 2026 | Fonte: Insurtals

Infraestrutura, frotas e consórcio: três frentes com mercado formado e espaço em aberto

Entre um mercado de engenharia que movimenta quase R$1 trilhão em obras ainda desprotegidas e um produto financeiro capaz de manter o cliente na carteira por até 18 anos, os painéis de Seguros Corporativos e Consórcio do Trends 2026 revelaram que, em alguns segmentos, a maior oportunidade ainda está intacta.

Noventa e cinco por cento das obras brasileiras operam sem seguro e frotas inteiras são geridas sem que o gestor saiba que é possível cotar uma apólice em três minutos e recebê-la no celular em cinco. No mercado de consórcio, o cenário é igualmente paradoxal: o setor dobrou sua base de participantes em uma década, de 6 milhões para 13 milhões de brasileiros, mas boa parte dos corretores ainda não trabalha com o produto. O Trends 2026 reuniu, em painéis dedicados às tendências dos Seguros Corporativos e do Consórcio, especialistas que colocaram em debate dois segmentos cuja maior barreira não é a concorrência, mas o desconhecimento. Diego Alves, da Yelum, Leandro Mihara e Lívia Prata, da Allianz, mostraram onde estão as oportunidades no mercado corporativo e por que o corretor continua insubstituível mesmo num setor cada vez mais digital. Humberto Mazzotti, da Rodobens, Lucas Henrique Cristino Silva e Karine dos Santos, da Porto, apresentaram estratégias concretas para transformar o consórcio em uma ferramenta de fidelização e de receita recorrente de longo prazo.

O oceano azul dos riscos de engenharia

Diego Alves, Gerente de Riscos de Engenharia da Yelum — marca da Porto para seguros corporativos —  abriu o painel com um dado que sintetiza a dimensão da oportunidade: em média, apenas 5% das obras no Brasil possuem seguro de risco de engenharia. Em algumas regiões, o índice é ainda menor, principalmente por desconhecimento sobre as coberturas disponíveis. Para Diego, o novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), com investimentos de quase R$ 1 trilhão, é a “bala de prata” do setor: as frentes em habitação (Minha Casa Minha Vida), energia (solar e eólica) e saneamento básico (onde 40% da população ainda carece de assistência) abrem um mercado enorme para o corretor disposto a trabalhar com esse produto.

Ele explicou que o seguro de engenharia é do tipo “all risks” e possui mais de 30 coberturas disponíveis, protegendo desde reformas simples até grandes obras de infraestrutura contra eventos da natureza, roubo, furto e desmoronamento. Ele trouxe um argumento de venda interessante: enquanto um projeto pode valer dezenas de milhões de reais, o seguro custa entre 0,1% e 0,3% do valor em risco — muitas vezes com preço similar ao de um seguro de automóvel, mas protegendo um patrimônio incomparavelmente maior.

Diego também falou sobre as mudanças climáticas explicando que: eventos catastróficos cresceram mais de 200% nos últimos quatro anos, e o fenômeno “Super El Niño” transformou o que antes eram eventos anuais em ocorrências quase semanais. Para o corretor que não trabalha com o produto no dia a dia, a Yelum oferece seis produtos com cotação online e um time de engenheiros especializados para apoiar tanto na subscrição quanto no atendimento em caso de sinistro.

Velocidade e estratégia no seguro de transporte

Leandro Mihara, Diretor de Transporte da Allianz, apresentou uma transformação no processo de cotação do seguro de transporte: o que antes era um processo demorado agora permite que o corretor obtenha uma cotação e receba a apólice em cerca de 5 minutos, inclusive com casos de corretores que concluem o processo em apenas 1 minuto e meio. No mês de maio, após o lançamento da ferramenta de cotação digital, o número de cotações disponíveis no mercado cresceu 400%. Para Mihara, a automação das cotações simples libera o subscritor do trabalho repetitivo e operacional, permitindo que ele atue de forma consultiva e estratégica nos riscos complexos que exigem análise humana e diálogo direto com o corretor. 

Ele também ressaltou que o risco de transporte no Brasil é profundamente diverso e só pode ser plenamente compreendido em campo. Ele exemplificou as especificidades do Agro no Centro-Oeste, da indústria no Sul e do transporte aquaviário no Norte exigem um olhar regional que a automação do básico libera tempo para desenvolver. O diretor foi preciso ao apontar que pequenos detalhes na apólice (um sublimite específico, uma cláusula técnica) podem gerar economias gigantescas na operação de um transportador.

Dados, câmeras e a prevenção como novo paradigma

Lívia Prata, Diretora de Frota da Allianz, fechou o painel com uma visão que sintetiza a transformação do seguro corporativo: o foco migrou da “indenização de perdas” para a “previsão e prevenção de riscos”. O objetivo agora é usar dados para evitar que o sinistro aconteça. Ela explicou que hoje é possível cotar uma frota em 3 minutos e emitir a apólice em 5 minutos, entregando o documento diretamente no celular do cliente. E destacou que, mesmo com toda a tecnologia disponível, nada substitui a visita “olho no olho” do corretor porque a qualidade da informação que só ele possui, ao entender as nuances de cada cliente, é o que garante uma precificação justa e um diferencial competitivo real.

A metáfora do cimento

Lívia apresentou o que chamou de metáfora do “cimento”: se o subscritor olha para um risco e encontra “buracos” de informação, ele “taca cimento” — aumenta o preço da apólice para se proteger da incerteza. Quanto mais dados e informações técnicas o corretor trouxer sobre a frota (uso de câmeras, gerenciadoras de risco, sistemas de bonificação por boa direção), menos “cimento” é necessário e mais competitivo fica o preço para o segurado.

Ela ilustrou o argumento com um caso real sobre uma frota segurada que investiu em câmeras de segurança e, em um episódio concreto, o sistema detectou que o motorista havia adormecido ao volante. A sirene acionada na cabine permitiu que ele acordasse a tempo de frear, evitando um acidente grave. 

De 6 a 13 milhões de participantes: a ascensão do consórcio

Humberto Mazzotti, Diretor Comercial da Rodobens, abriu o painel “Tendências no Consórcio” e situou o debate com uma visão histórica sobre como o consórcio mudou de patamar nos últimos dez anos por causa de três fatores simultâneos. O primeiro foi a escala — o setor saltou de 6 milhões para 13 milhões de participantes ativos, tornando o produto muito mais familiar ao brasileiro. O segundo foi segurança jurídica: a criação de uma legislação específica, há pouco mais de 15 anos, eliminou a insegurança que existia quando as normas vinham do Banco Central de forma genérica. O terceiro foi a diversificação dos canais de distribuição: o produto saiu das concessionárias e chegou a todos os balcões financeiros, com força total no canal corretor.

Consórcio como ferramenta de blindagem da carteira

Mazzotti utilizou uma metáfora para descrever o papel do corretor nesse mercado: o de um “personal trainer” do planejamento financeiro. Dificilmente alguém rejeita a ideia de se planejar, o problema é que a maioria das pessoas não consegue manter a disciplina sozinha e precisa de um profissional que as oriente e as mantenha no rumo.

Ele também apresentou um argumento  para o corretor que ainda não trabalha com o produto: se o profissional não oferecer o consórcio, o cliente o buscará em um banco, e o banco aproveitará a oportunidade para oferecer outros seguros com preços competitivos, roubando o cliente da corretora. Por isso, para Mazzotti, o consórcio não é apenas uma receita adicional; é uma ferramenta de blindagem da carteira.

E os números reforçam a tese: um consórcio de automóvel com 60 meses de duração gera, por si só, a oportunidade de cinco renovações automáticas do seguro de auto. Para imóveis, os prazos chegam a 216 meses; para caminhões, a 120. O corretor que vende um consórcio mantém o cliente em sua base por anos.

O corretor como planejador financeiro estratégico

Lucas Henrique Cristino Silva, Coordenador Comercial de Consórcio e Financiamento no Porto Bank, conduziu sua fala em torno da premissa de que o corretor precisa mudar a forma como é percebido: de quem “cuida do patrimônio” para um especialista em planejamento financeiro com profundidade técnica. Ele destacou o que o corretor possui e que os bancos mais desejam: informação privilegiada e relacionamento direto. Ao fazer a renovação de um seguro empresarial, o corretor pode identificar que o cliente planeja expandir uma fábrica e essa informação cria a oportunidade ideal para oferecer o consórcio como estratégia financeira. O banco não tem acesso a esse nível de conhecimento sobre o cliente.
Lucas também descreveu a proposta do Porto Bank de forma clara: enquanto os bancos tentam avançar sobre o mercado de seguros, o Porto Bank trabalha para entregar ao corretor um portfólio financeiro completo — consórcio, financiamento, capital de giro (CGI) e previdência — permitindo que o profissional atue como o planejador estratégico central da vida financeira do cliente ou da empresa. Ele relatou casos de corretores cujos clientes, após verem propagandas de consórcio na mídia, buscaram o próprio profissional para realizar a contratação, demonstrando que um trabalho consultivo bem-feito gera memória de marca e fidelização real.

O consórcio como sonho realizado e a IA na mão do cliente

Karine dos Santos, Coordenadora de Negócios na Porto, trouxe ao painel um olhar sobre o produto que combinava entusiasmo com precisão técnica. Ela descreveu o trabalho com consórcio como “delicioso”, especialmente pela gratificação de ajudar um cliente a descobrir um potencial de compra que ele mesmo não sabia que tinha. No entanto, ela trouxe também um alerta importante: o cliente chega para a negociação cada vez mais preparado. A inteligência artificial está na mão do consumidor também, o que significa que ele pesquisa, compara e chega com perguntas mais sofisticadas. Por conta disso, o corretor que não se atualizar perderá terreno.

No campo dos lançamentos, apresentou o “Auto Data Certa”, produto que faz um mix entre financiamento e consórcio: o cliente escolhe um prazo — 12, 18, 24 ou 36 meses — para ter uma projeção de contemplação da carta de crédito, trazendo previsibilidade ao planejamento financeiro.

Karine também destacou estratégias de cross-selling: o uso de refinanciamento de veículos ou CGI (Crédito com Garantia de Imóvel) como forma de o cliente obter recursos para oferecer um lance e acelerar a contemplação no consórcio. Ela encerrou com um argumento que considera uma das mais poderosas ferramentas de fechamento: o corretor que souber calcular e mostrar ao cliente o custo real do dinheiro, comparando o consórcio com outras linhas de crédito do mercado, encontrará um produto extremamente competitivo do outro lado da comparação.

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