Um caso que ganhou repercussão nas redes sociais reacendeu a discussão sobre o uso adequado da assistência 24 horas oferecida pelas seguradoras. A história envolve um homem que relatou, em um grupo de família no WhatsApp, ter acionado o guincho de sua apólice alegando uma pane mecânica na caminhonete. Posteriormente, ele contou que o veículo estava funcionando normalmente e que o objetivo era apenas testar a qualidade do serviço e economizar com combustível e pedágios durante a viagem.
A conversa rapidamente viralizou e dividiu opiniões. Enquanto alguns internautas trataram o episódio com humor, outros criticaram a atitude, destacando que a assistência deve ser utilizada apenas em situações reais de necessidade.
Para o presidente do Sincor-PE, Carlos Valle, o caso representa um desvio da finalidade da assistência oferecida pelas seguradoras. “Independentemente da justificativa apresentada, seja testar o serviço da seguradora ou economizar combustível e pedágios, estamos diante de um claro desvio de finalidade. A assistência 24 horas existe para atender situações reais de necessidade. Um guincho mobilizado sem necessidade pode deixar de atender alguém que realmente esteja enfrentando uma emergência.”
Além do impacto operacional, o especialista explica que esse tipo de acionamento também pode refletir nos custos do seguro, já que o setor funciona com base na mutualidade.
“O mercado de seguros trabalha com bases técnicas e estatísticas, e a frequência de utilização dos serviços influencia diretamente os custos das operações. Quando ocorrem acionamentos indevidos, aumentam as despesas das seguradoras e dos prestadores de serviços. No fim da cadeia, esses custos tendem a ser absorvidos pelo conjunto dos segurados.”
Carlos Valle destaca ainda que as seguradoras podem adotar mecanismos para coibir esse tipo de prática sem comprometer a agilidade do atendimento aos clientes que realmente necessitam de assistência.
“Uma alternativa é aperfeiçoar os procedimentos de conferência durante o atendimento, registrando informações sobre a pane, o local da ocorrência e outros elementos que permitam verificar a compatibilidade entre o chamado e a situação encontrada. Se houver comprovação de uso indevido ou de informações falsas, devem ser aplicadas as medidas previstas em contrato e na legislação.”
O episódio reforça a importância do uso consciente da assistência 24 horas, um serviço desenvolvido para oferecer suporte em situações de emergência. Segundo especialistas do mercado, a utilização indevida pode comprometer a disponibilidade do atendimento, elevar os custos da operação e afetar todo o sistema de mutualidade que sustenta o mercado de seguros.

