A expansão dos veículos elétricos no Brasil e os desafios relacionados à segurança, à infraestrutura e à cobertura de seguros estiveram no centro das discussões do Fórum Baiano de Mobilidade Elétrica e Seguros, realizado nesta quinta-feira (15), em Salvador. Realizado pelo SindSeg BA/SE/TO, o encontro reuniu profissionais do mercado de seguros, engenheiros, advogados e síndicos em dois painéis dedicados aos aspectos técnicos da mobilidade elétrica e às responsabilidades de condomínios e empresas na instalação de pontos de recarga.
Promovido com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre um tema que vem ganhando espaço na sociedade, o fórum abordou questões como adequação das instalações, prevenção de incêndios, responsabilidade civil e gerenciamento de riscos. As discussões também destacaram a importância da atuação dos corretores de seguros na orientação de clientes e na identificação de soluções compatíveis com as novas demandas.
Na avaliação de Paulo César Martins, presidente do Sindicato das Seguradoras da Bahia, Sergipe e Tocantins (SindSeg BA/SE/TO), que mediou os painéis, o evento permitiu reunir diferentes perspectivas sobre os desafios da mobilidade elétrica e seus impactos no setor de seguros. O primeiro painel concentrou-se em engenharia e infraestrutura, enquanto o segundo abordou as responsabilidades envolvidas na instalação de carregadores e na incorporação desses equipamentos à rotina de condomínios e empresas.
Segundo Martins, o encontro também resultou no compromisso de elaborar um documento oficial com as principais contribuições das discussões, a ser encaminhado à Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), à Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), às seguradoras e aos corretores. A proposta é contribuir para o desenvolvimento do setor e ampliar o entendimento sobre os riscos relacionados à nova realidade da mobilidade.
“Saímos com um compromisso de gerar um documento oficial”, afirmou o presidente do SindSeg BA/SE/TO. Ele também manifestou a expectativa de que outros fóruns sejam realizados na Bahia, ampliando o debate e contribuindo para o desenvolvimento do mercado de seguros na região.
Para Antonio Santos, gerente de Produtos RE da Porto Seguro, a discussão é necessária diante das dúvidas que ainda cercam a instalação de carregadores elétricos e a adaptação das coberturas de seguros. Ele ressaltou que síndicos, administradoras de condomínios e corretores estão entre os profissionais que precisam compreender melhor as mudanças e suas implicações.
Santos destacou que a participação de especialistas de diferentes áreas permite construir uma visão mais abrangente sobre o tema, reunindo conhecimentos de engenharia, inspeção e subscrição de riscos. Nesse contexto, o corretor tem papel relevante na orientação dos clientes e na identificação das medidas necessárias para adequar a proteção securitária às novas necessidades.
“É importante reforçar o papel do corretor na consultoria da gestão de risco”, afirmou o executivo, ao destacar a necessidade de aproximar o conhecimento técnico das decisões relacionadas à contratação e à adaptação dos seguros.
O engenheiro civil e diretor da SCG Avaliações e Perícias, Inálvaro Soares, também ressaltou a importância de inserir a mobilidade elétrica nas discussões do setor. Para ele, a presença crescente dos veículos elétricos torna necessário aprofundar o conhecimento sobre as mudanças na matriz energética dos automóveis e seus reflexos na avaliação e na prevenção de riscos.
Soares avaliou que a iniciativa contribui para aproximar o mercado de seguros das transformações tecnológicas e das demandas do setor condominial. Segundo ele, o debate é fundamental para esclarecer questões que envolvem a utilização dos veículos elétricos e a adequação das soluções de proteção a essa nova realidade.
Ao abordar a responsabilidade civil dos condomínios, a advogada condominial e sócia-fundadora do Deda & Lemos Advogados, Cristina Lemos, destacou os riscos jurídicos relacionados a eventuais incêndios em áreas comuns decorrentes da instalação de carregadores elétricos. A especialista chamou atenção para a necessidade de que condomínios residenciais, empresariais e centros comerciais estejam preparados para receber a demanda por pontos de recarga.
De acordo com Lemos, a instalação dos equipamentos precisa observar a legislação aplicável e as normas técnicas, de modo a reduzir riscos e oferecer condições adequadas de segurança. Ela também ressaltou a existência de normas estaduais e municipais, além de regulamentações do Corpo de Bombeiros, que devem ser consideradas nesse processo.
“É bastante possível que essa instalação ocorra de uma forma segura”, afirmou a advogada, ao destacar que a adequação técnica pode contribuir para uma cobertura securitária mais abrangente e para a proteção dos envolvidos.
A perspectiva da gestão condominial foi apresentada por Ary Cabral, síndico profissional e sócio-proprietário da AC Condominial, que atua na administração de 23 condomínios em Salvador. Segundo ele, a instalação de carregadores elétricos já aparece com frequência nas discussões realizadas em assembleias, embora ainda existam dúvidas sobre as exigências legais e os procedimentos necessários.
Cabral avaliou que o compartilhamento de informações técnicas e jurídicas é importante para qualificar as decisões dos condomínios diante da expansão da mobilidade elétrica. Para o síndico, a falta de conhecimento sobre o assunto pode dificultar a avaliação das condições necessárias para receber os equipamentos.
“O evento traz para a gente oportunidade de conhecimento”, destacou, ao mencionar a relevância das informações apresentadas pelos especialistas e das atualizações legislativas para os profissionais responsáveis pela administração condominial.
A gerente executiva de Comercial, Marketing e Experiência do Cliente da Alba Seguradora, Ana Marta Garcia, também enfatizou a importância de iniciativas voltadas à disseminação de conhecimento no mercado de seguros. Segundo ela, a mobilidade elétrica deixou de ser apenas uma perspectiva para se tornar uma realidade que exige respostas de seguradoras, segurados e demais agentes do setor.
Garcia ressaltou que a quantidade de questionamentos relacionados ao tema reforça a necessidade de promover debates com conteúdo técnico e diferentes pontos de vista. Ao avaliar o encontro, ela destacou a qualidade das contribuições apresentadas pelos participantes e parabenizou a organização pela realização do fórum.
Já Mauro Brarmas, sócio da Brarma Corretora de Seguros e um dos fundadores do grupo Rum, relacionou a realização do evento à importância de transformar discussões do mercado em iniciativas concretas. O grupo promove encontros mensais entre profissionais do setor para confraternização e debate de assuntos relevantes para a atividade.
Segundo Brarmas, o tema da mobilidade elétrica surgiu em um desses encontros e, posteriormente, ganhou espaço no fórum realizado em Salvador. Para ele, a iniciativa demonstra a importância de levar adiante pautas que afetam não apenas o mercado de seguros, mas também a sociedade.
O Fórum Baiano de Mobilidade Elétrica e Seguros reforçou, assim, a necessidade de integrar conhecimento técnico, prevenção de riscos, responsabilidade jurídica e soluções securitárias diante da expansão dos veículos elétricos. A elaboração do documento previsto pelos organizadores deverá reunir contribuições do encontro para ampliar o debate e apoiar o desenvolvimento de práticas mais seguras para a instalação e a utilização de pontos de recarga.

