Notícias | 4 de maio de 2026 | Fonte: Exame

Essa seguradora chegou à casa do bilhão. Como? Apostando nos funcionários como donos do negócio

Se você já precisou proteger um negócio, garantir uma operação logística ou até assegurar a continuidade de uma renda, há uma boa chance de ter esbarrado em uma solução da Axa. Presente em mais de 50 países e com origem na França, a seguradora tem no Brasil uma de suas principais apostas de crescimento, e um modelo pouco convencional para sustentar essa expansão.

Em pouco mais de uma década, a operação brasileira saiu de um projeto do zero para um negócio bilionário.

“A AXA está no Brasil desde 2015. Foi um projeto que se iniciou como um greenfield e cresceu porque acreditamos 10 anos atrás que o Brasil é uma potência”, afirma Erika Medici, CEO da companhia no país.

A seguradora Axa atua hoje de ponta a ponta, de seguros para grandes obras e multinacionais até proteção de celulares e renda de trabalhadores informais, passando por pequenas e médias empresas, um dos principais motores de crescimento da companhia no Brasil.

Em 2025 a empresa alcançou R$ 2,3 bilhões em faturamento, com crescimento de dois dígitos ano após ano, e parte relevante desse avanço vem de dentro de casa.

O programa que virou motor de crescimento

O principal diferencial da AXA no Brasil atende pelo nome de “AXA no Topo”. Na prática, é um modelo que permite que qualquer funcionário (do estagiário ao executivo) proponha novos projetos diretamente ao alto escalão.

“Qualquer pessoa na companhia desenha uma iniciativa, monta um business case e vende sua proposta para o comitê executivo”, diz Medici.

Se aprovado, o projeto recebe investimento e passa a ser liderado pelo próprio autor da ideia.

O resultado é expressivo:

“Dos 2,3 bilhões que a gente fez, em torno de 900 milhões vieram de iniciativas dos nossos funcionários”, afirma a CEO.

Desde a criação do programa, em 2023, já foram mais de 130 iniciativas, com a maior parte implementada.

Mais do que inovação, o modelo cria um senso de pertencimento difícil de replicar:

“É uma forma de todo mundo se sentir responsável por aquilo”, diz Medici.

Cultura: transparência e protagonismo

Por trás do programa, está uma filosofia de gestão baseada em autonomia e comunicação direta.

“Se a notícia é boa, eu vou te dar notícia boa. Se a notícia é ruim, eu vou te dar notícia ruim e a gente vai achar a solução”, afirma a executiva.

Esse modelo ajudou a elevar o engajamento interno a níveis pouco comuns no mercado.

“Saímos de um índice de engajamento de 10 para 92”, diz.

O impacto vai além do clima organizacional. A iniciativa também virou uma ferramenta de identificação de talentos.

“O comitê executivo teve a chance de conhecer talentos e isso acelerou absurdamente o negócio”, afirma.

Crescer mais rápido – e melhor que o mercado

A cultura interna se conecta diretamente com a estratégia de negócios. Segundo a CEO, a AXA cresce acima da média do setor.

“Todas as minhas linhas crescem a dois dígitos e quase o dobro do mercado”, afirma.

A expectativa é manter o ritmo.

“Vamos continuar crescendo dois dígitos, temos falado muito em 20%”, diz.

Para a executiva, crescer não é suficiente, é preciso crescer com rentabilidade.

“Crescer em faturamento dá pra fazer, mas a gente tem um compromisso de aumentar faturamento e lucro ano após ano”, afirma.

Do corporativo ao pequeno empreendedor

A estratégia da AXA no Brasil também evoluiu. Se no início o foco estava em grandes empresas, hoje a companhia mira um mercado mais amplo.

“O pequeno e médio empreendedor é uma das minhas alavancas de crescimento”, afirma Medici.

A empresa atua hoje em três frentes:

• grandes riscos corporativos
• massificação (PMEs e produtos digitais)
• seguros inclusivos

Nesse último caso, a ideia é ampliar o acesso à proteção financeira.

“Sempre nos questionamos como é que a gente constrói um seguro inclusivo com um ticket médio que seja permissivo para aquela realidade?”, diz.

Tecnologia e prevenção no centro do negócio

Outro pilar da estratégia é o uso de tecnologia para antecipar riscos, e não apenas indenizar perdas.

Um exemplo é a “Torre 360”, que usa inteligência artificial para monitorar motoristas.

“A gente coloca uma câmera dentro do caminhão, que te fala se ele está apresentando sinais de fadiga”, diz.

A lógica é evitar acidentes antes que eles aconteçam.

“O que a gente não quer é que aquele indivíduo sofra e muitas vezes a gente previne o pior”, afirma.

Brasil no centro da estratégia global

Mesmo ainda pequena no tamanho global da companhia, a operação brasileira tem papel estratégico.

“O Brasil lidera como uma das principais locais de expectativa de crescimento para o grupo”, afirma Medici.

Os motivos vão desde o tamanho da população até a baixa penetração de seguros no país.

“É onde tem mais sentido você colocar a tua energia para crescer”, diz.

Um modelo que mistura propósito e resultado

No fim, a combinação de cultura, tecnologia e estratégia de mercado tem sustentado o avanço da AXA no Brasil, com um diferencial: transformar funcionários em protagonistas do negócio.

“Você não consegue evoluir sem uma proteção, o seguro está ali para te dar a capacidade de continuar”, afirma a CEO.

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