A abertura do setor de seguros aumenta a demanda por um novo profissional de atuária. A palavra atuária pode causar estranheza para os que não conhecem bem o setor de seguros. Mas o atuário é fundamental para as empresas de previdência públicas e privadas, os fundos de pensão, as seguradoras, as companhias de capitalização e as instituições financeiras.
Isso porque ele é especializado em risco. Esse profissional estima a incidência de doenças, mortes, acidentes de trânsito ou trabalho, por exemplo, e calcula quando deve ser a contribuição de cada segurado.
Para o atuário, o domínio de conceitos de economia, administração, contabilidade, matemática, finanças e estatística são fundamentais. `Por isso, alguns profissionais atuantes no mercado hoje não são formados em Ciências Atuariais, mas sim em um desses campos de conhecimento`, diz o professor Reinaldo Guerreiro, chefe do departamento de contabilidade e atuária da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP).
Segundo ele, para aqueles que pretendem seguir carreira executiva, dominar métodos quantitativos não é suficiente. `É preciso também ter visão de estratégia de negócios, conhecer macro economia, saber se relacionar e conhecer ferramentas de gestão`, afirma.
E quem estiver preparado para gerenciar uma equipe, certamente encontrará oportunidades de trabalho no mercado. Não é uma mão de obra de volume alto no mercado. `Todo mês tenho vagas abertas para todos os níveis de profissionais, desde analistas até gerentes juniores e sêniores`, conta Daniel Cunha, consultor sênior, responsável pela área de seguros da Michael Page, empresa especializada em recrutamento de executivos em média e alta gerência.
`Neste momento não estou trabalhando nenhuma vaga, mas normalmente temos. É comum os clientes nos pedirem atuários. Vive tentando descobrir onde esses caras estão trabalhando para os convidarmos a participar do processo seletivo. Com isso, ficamos presos a um círculo pequeno de profissionais`, conta João Canada, vice-presidente do Grupo Foco. `Normalmente, a seleção de um profissional sênior demora entre 60 e 90 dias. As empresas querem dois ou três finalistas no processo de seleção e, muitas vezes, é difícil conseguir apenas um`, complementa.
No Brasil, a maior parte dos atuários seguem carreira em seguradoras, nos ramos de vida e previdência, mercados que crescem muito no País. Uma minoria ingressa nos ramos de seguros de patrimônio. Por isso, é justamente nos ramos patrimoniais que os atuários encontram mais oportunidades de colocação profissional. `A oferta de empregos é menor do que no ramo de vida, mas, em contrapartida, a concorrência na disputa de uma vaga também é pequena`, ressalta Cunha.
Outra área que vem demandando atuários é a de auditoria. `As companhias de grande porte estão compondo equipes com esse profissional, que pode atuar tanto como auditor interno quanto como prestador de serviços em empresas especializadas`, afirma o consultor da Michael Page. Canada, do Foco, destaca também as consultorias atuariais, como mercado de trabalho para o especialista em atuária.
Futuramente, a aprovação de um projeto que tramita no congresso e prevê a abertura do mercado de resseguros promete aquecer a oferta de vagas para atuários. Hoje, apenas o Instituto de Resseguros do Brasil – IRB, que regulamenta e fiscaliza o setor e tem o capital dividido entre o governo e a iniciativa privada, atua nesse mercado. `Na minha visão, a oferta de vagas para atuários crescerá cerca de 30%`, analisa Canada.
Para Cunha, a maior dificuldade encontrada na seleção de executivos especializados em atuária é a falta do domínio da língua inglesa. `Hoje o atuário precisa falar inglês para conversar com o chefe dele. Muitas das seguradoras são multinacionais e exigem reportar números`. De acordo com Canada, são, principalmente, os profissionais mais experientes que ainda não falam inglês. `Eles construíram suas carreiras em mercado dominado por empresas nacionais. Foi a partir da abertura comercial do País, no governo Collor, que seguradoras internacionais começaram a atuar no Brasil`.
Além do domínio do inglês, a experiência profissional é fundamental. `Perfis generalistas são os mais procurados para cargos gerenciais`, lembra Cunha. A recomendação para aqueles que pretendem ocupar essas posições é buscar experiências em diferentes ramos do seguro, como o de saúde, vida, automóvel etc.
Os cursos de especialização e pós-graduação também valorizam o currículo. No caso dos que aspiram a uma carreira executiva, o MBA é o mais recomendado. Para os que estão começando a carreira, Canada indica os cursos curtos de especialização, por oferecerem conhecimentos específicos, que podem ser aplicados imediatamente e contribuem para ascensão profissional.
A formação em atuária é oferecida por poucas instituições de ensino. Os cursos de graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) são os mais tradicionais. No ano que vem, a FEA volta a participar desse grupo de faculdades, pois pretende reabrir o cursos de Ciências Atuariais. Os interessados em ingressar em um MBA da área encontram qualificação na Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras – Fipecafi -, da FEA, que oferece curso Gestão Atuarial e Financeira.
kicker: Dominar métodos quantitativos não é mais suficiente. É preciso também ter visão de estratégia de negócios
kicker2: A abertura do mercado de resseguros pode ampliar a oferta de vagas para atuários em cerca de 30%, dizem analistas.

