Notícias | 15 de fevereiro de 2023 | Fonte: CQCS l Ítalo Menezes

Escândalo da Americanas aumenta critérios para análise do seguro

O escândalo de “inconsistências contábeis” de R$ 20 bilhões da Americanas colocou o Mercado de Seguros em alerta e com análise ainda mais criteriosa das empresas do setor varejista e de toda a cadeia que alimenta ao oferecer seguro D&O, seguro responsável por cobrir despesas com defesas, acordos, indenizações e multas devidas pelos executivos, em razão de prejuízos relacionados aos atos de gestão causados a terceiros. As informações são do site InfoMoney.

Wesley Oliveira, docente da ENS (Escola de Negócios e Seguros) destaca que o primeiro grande caso do uso do Seguro D&O foi o da Petrobras em 2015 e que na situação da Americanas pode causar impacto em três pontos: análise mais criteriosa, reavaliação de taxas e análise ampliada das empresas de auditoria. 

Já para a diretora de responsabilidade financeira e profissional e instituições financeiras de consultoria de fisco e corretora Marsh Brasil, Juliana Casiradzi, ressalta que a tendência é que as seguradoras busquem alternativas para mitigar os riscos, porém ainda não foi dada nenhuma sinalização do que pode ser feito. “As seguradoras se apoiam nas informações financeiras da companhia, principalmente quando tem balanço auditado, para definir o risco”. 

A advogada Bárbara Bassani, sócia na área de seguros e resseguros no TozziniFreire Advogados, diz acreditar em um aperfeiçoamento das cláusulas, sobretudo as de recuperação e falência. “Acredito que vai ter uma mudança cautelosa, em um primeiro momento, até de precificação”, afirma.

João Fontes, presidente da subcomissão de linhas financeiras da FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais), conta que, desde 2014, esse tipo de seguro tem apresentado uma grande expansão. Entre 2014 e 2021, o seguro D&O teve crescimento de 436% no Brasil, passando de uma arrecadação de R$ 227,6 milhões para R$ 1,2 bilhão. E o total pago em indenizações para garantir a cobertura de processos judiciais envolvendo executivos oscilou, tendo o seu maior pico entre 2017 e 2019, quando passou de R$ 226,8 milhões para R$ 825,7 milhões, crescimento de 264%. Vários fatores contribuíram para este crescimento no período, como a Operação Lava Jato.

No ano passado, o seguro de responsabilidade civil parou cerca de R$ 558 milhões, crescimento de 206,8% sobre 2021. Já a contratação de apólices de D&O aumentou 4% na comparação com o ano anterior, arrecadando R$ 1,2 bilhão. Os dados são da FenSeg.

“O que fez crescer foi a necessidade dos administradores e diretores terem uma proteção na sua tomada de decisão, porque podem ser penalizados pelos seus atos de gestão, e o produto D&O protege os seus bens pessoais”, diz Fontes.

Para Juliana Casiradzi,da Marsh Brasil, eventos como o da Americanas tendem a gerar revisão de preços e taxas aplicadas.

A Americanas tem uma apólice de D&O estimada pelo mercado em R$ 50 milhões, agora resta saber como a Justiça vai definir as perdas bilionárias da varejista. De acordo com especialistas,a cobertura da apólice de D&O pode esbarrar na definição se houve ou não fraude dos envolvidos.

A apólice de D&O da Americanas foi elaborada pela Zurich.  Procurada, a seguradora informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que os seus contratos de seguros seguem rigorosos procedimentos de confidencialidade e que não faz comentários no que diz respeito à existência de apólices.

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