Notícias | 30 de setembro de 2019 | Fonte: O Globo via Fenacor

Empregados de 25% das indústrias não têm plano de saúde

 

O Globo informa que um quarto das indústrias brasileiras não oferece planos de saúde aos seus funcionários. O custo é apontado por 61% dessas companhias como justificativa para não conceder o benefício. Esses são alguns dos dados da pesquisa inédita do Serviço Social da Indústria (Sesi), feita com 1.006 diretores e gerentes de Recursos Humanos de indústrias de médio e grande portes do país, que será apresentada hoje, em São Paulo, no 2º Seminário Internacional de Saúde Suplementar promovido pela instituição.
Segundo Rafael Lucchesi, diretor-superintendente do Sesi, a inflação da saúde exerce uma forte pressão sobre os custos das empresas. A variação de custos médicos hospitalares, no setor industrial, diz Lucchesi, foi de 237%, entre 2008 e 2016, enquanto a inflação geral, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), teve alta de 71,88% no mesmo período.
– O custo com saúde é o maior da folha de pagamento, após os salários, representa 13,1%, em média. Muitas empresas estão investindo em gestão de saúde, com programas de promoção e prevenção feitos em paralelo e em conjunto com o serviço das operadoras como uma maneira de reduzir esse custo. Além disso, já observamos uma tendência entre as empresas de implementar planos de saúde autogestão como um caminho para mudar a forma de assistência, hoje remunerada por serviços, o que promove desperdícios – ressalta o diretor-superintende do Sesi.
Segundo o levantamento, 56% das empresas já integraram a gestão de planos de saúde com suas políticas de saúde e segurança do trabalho e apontam essa iniciativa como de importância relevante para a redução dos custos.
Rogério Scarabel, diretor de Normas e Habilitação dos Produtos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), diz que entre as empresas que adotaram programas de promoção de saúde há casos até de variação negativa de custos:
– A variação de custo anual vai de 30% a -8%. A gestão de saúde do trabalhador tem se mostrado muito eficiente. A entrada dos contratantes no debate da saúde suplementar é fundamental. Inclusive convidamos a indústria para participara da discussão da agenda de regulação para os próximos dois anos – destaca Scarabel, lembrando que desde 2016, Sesi e ANS mantêm um acordo de cooperação técnica.
Sem revelar o percentual, a Procter & Gamble (P&G) diz que o reajuste anual do plano de saúde, que atende 26 mil pessoas, entre funcionários e dependentes, ficou bem abaixo da média de 10%, apurada pela pesquisa do Sesi.
Desde 2012, quando iniciou o programa de gestão de saúde no país, a empresa acumula resultados expressivos. O mais significativo deles veio com a implantação de postos para atendimento primário em cada uma de suas fábricas.
Isso levou a uma redução expressiva do uso do plano de saúde, conhecida tecnicamente como sinistralidade, para abaixo de 70%, quando a média do mercado é de 82%.
– NA P&G internacional, esse programa começou em 1988. Os dados mostram que, para cada dólar investido em promoção de saúde, volta US$ 1,30 para a empresa. No Brasil, em 2012, a sinistralidade era de mais de 100%. Com os ambulatórios, reduzimos a ida ao pronto-socorro e ainda conseguimos orientar o nosso trabalhador, para que não fique perdido na rede, quando é necessário um atendimento fora da empresa. O resultado é custo menor e melhor resolutibilidade dos casos – explica Fernando Mariya, gerente médio Brasil da P&G.
Outro instrumento usado pelas empresas para deter custo é a implementação de moderadores de uso, como coparticipação. Em 73% das indústrias pesquisadas há contribuição do funcionário para o pagamento do benefício. Apenas 24% das empresas arcam com 100% do custo da saúde suplementar.
Lucchesi diz que, nos últimos cinco anos, desde que a crise econômica começou a pressionar os custos da indústria, o plano de saúde vem se tornando uma pauta de tensão entre trabalhadores e empresas.
– No Brasil, as empresas têm uma carga fiscal elevada e ainda têm um custo adicional com o pagamento da saúde suplementar que vai influir no clima organizacional, na capacidade de trabalho e na competitividade de recursos humanos. Na França, por exemplo, não é uma questão para o trabalhador se a empresa tem ou não tem plano de saúde, pois ele utiliza o sistema público – destaca.

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