Notícias | 11 de novembro de 2025 | Fonte: CQCS

Dyogo Oliveira: não pode haver uma região ou um risco insegurável

O mercado de seguros precisa aceitar o seu papel. Não podemos aceitar a hipótese que exista uma região ou um risco que seja insegurável. A afirmação foi feita pelo presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, em palestra apresentada no primeiro dia da programação estratégica na Casa do Seguro, nesta 2ª feira, em Belém (PA).

Segundo ele, o setor de seguros tem a habilidade para construir soluções para riscos catastróficos dos mais diversos, para usinas nucleares, para satélites, lançamentos de foguetes e coisas altamente arriscadas. “Nós conseguimos construir soluções compartilhadas. E essa é uma especialidade que o setor de seguros tem que diferenciar dos outros, todos”, pontuou.

Oliveira destacou ainda que o mercado tem uma rede global de transferência e gestão de risco, montada, que pode ser utilizada, inclusive para soluções que tem a ver com os riscos climáticos. “Mas, o grande risco para a indústria de seguros que eu vejo nessa transição é nós cairmos no perigo, na tentação de escolher riscos”, alertou.

Na visão do presidente da CNseg, o grande problema das mudanças climáticas para o setor de seguros é o fato desse ser um risco “que estará presente em tudo o que nós fazemos”, incluindo automóveis, residências, na infraestrutura. “Está presente em vida, está presente em saúde, está presente em absolutamente tudo”, sublinhou, acrescentando que não pode haver a hipótese do setor de seguros, seja no Brasil, seja global, de escolher não aceitar os riscos climáticos. “Então, se essa não é uma opção, nós temos que rapidamente nos abraçar com esse tema do risco climático e enfrentar as dificuldades que significam lidar com os riscos climáticos, porque é um risco muito difícil de modelar”, assinalou.

Nesse contexto, Dyogo Oliveira enfatizou a importância de o mercado dar um passo à frente e se colocar como protagonista dentro dessa discussão. Para ele, é lamentável que o setor tenha ficado por tanto tempo longe dessa discussão. “Por estarmos longe da discussão, não me surpreende quando se fala que a discussão toda foi para o lado das finanças e hoje começa a ter uma revisão dessa estratégia colocando novamente os seguros onde ele precisa estar”.

O presidente da CNseg conclamou as lideranças globais da indústria do segura a “abraçar essa agenda”. Não somente porque existe um enorme mercado a ser desenvolvido, mas, principalmente, porque se o setor precisa cumprir essa função social.

Caso contrário, advertiu o presidente da CNseg, o mercado perderá a legitimidade enquanto indústria ou enquanto negócio. “A função social básica da indústria de seguros é oferecer para a sociedade soluções para os riscos que a sociedade corre. E é preciso ter clareza e noção de que não será um processo fácil, trivial de construir porque nós partimos de um ponto de desconhecimento desta ferramenta. A gente precisa explicar também qual é a diferença entre seguro, financiamento e investimento. Precisamos construir uma relação de confiança com esses interlocutores e, a partir disso, construir soluções que vão atender as necessidades desses interlocutores”, asseverou.

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