Notícias | 6 de junho de 2024 | Fonte: Seguro Gaúcho

Corretores de seguros do vale do sinos compartilham suas histórias por trás dos números da enchente

Reprodução / Seguro Gaúcho

A catástrofe climática no Rio Grande do Sul provocou as piores inundações em 80 anos, afetando mais de 1,45 milhão de pessoas, inclusive na região do Vale do Sinos. Os números e índices do desastre apresentam um panorama geral, entretanto, a dimensão da tragédia fica mais impactante quando conhecemos os nomes e os relatos de quem viveu dias difíceis por conta do gigantesco alagamento. O corretor de seguros Afonso Immich, de São Leopoldo, e sua colega Dulce Aderle, de Novo Hamburgo, foram afetados e tiveram suas rotinas diárias completamente modificadas quando o nível das águas subiu demasiadamente. Confira abaixo suas histórias.

Corretor com 24 anos de profissão, Afonso Immich é sócio fundador da Aakar Immich Corretora de Seguros Ltda localizada no centro de São Leopoldo. Entre os dias 04 e 10 de maio ele foi bastante impactado pelas enchentes quando o primeiro piso de sua residência ficou completamente alagado, já que o nível da água atingiu cerca de 1m60cm provocando uma grande inundação que causou a perda de estoque de alimentos, vários moveis e eletrodomésticos, além de pertences pessoais. Ainda estão sendo avaliadas as dimensões dos danos elétricos, já que sua casa ficou alagada por 7 dias.

Para piorar a situação, seu escritório também está situado no mesmo endereço da residência, só que no segundo andar. O espaço destinado à corretora não foi atingido, mas ficou inoperante por mais de duas semanas em razão da falta de energia elétrica. “Fiquei isolado em minha casa e por vários momentos sem qualquer tipo de comunicação em razão da falta de luz e ainda tive que ficar por duas semanas sem conseguir sair do local devido aos alagamentos e ao perigo de furtos e arrombamentos”, recorda Afonso.

Como a casa foi invadida pelas águas houve a necessidade da realização de limpeza e arrumação do local. “Nos primeiros 20 dias de maio praticamente não trabalhei. Graças a Deus minha filha Kerlin Immich, que também é sócia na corretora e não foi atingida pela enchente, conseguiu conduzir nossas demandas profissionais de forma remota, no formato online. A Kerlin prestou todo o suporte aos nossos clientes, inclusive em relação aos sinistros”, explica.

Mesmo diante de um cenário devastador e que impactará muito a sociedade e a economia do estado, Afonso tem uma visão reflexiva, otimista e um sentimento de esperança por dias melhores: “devemos aproveitar o momento para pensarmos de que maneira poderemos colaborar para que a natureza possa ficar em harmonia com nosso planeta. Mais do que nunca, agora é o momento de buscar soluções de infraestrutura para nossa região”.

Por fim, o experiente corretor fez questão de enaltecer o papel dos profissionais do setor de seguros diante da catástrofe climática que devastou a vida e o cotidiano da população. “Nesse momento tão duro, ao menos algumas perdas poderão ser amenizadas graças as apólices, principalmente de muitos carros que foram afetados com as inundações. O seguro sempre foi e sempre e continuará sendo uma ferramenta importante de resguardo diante de inúmeras perdas que todos tivemos. Que nós tenhamos força e fé para continuarmos nossa trajetória e para toda a reconstrução que nos aguarda”, conclui Afonso.

Já a corretora Dulce Anderle reside no bairro Ouro Branco, em Novo Hamburgo. Ela é sócia diretora da Sottanderle Corretora de Seguros e na empresa também trabalham o marido, o filho e a esposa dele. Felizmente sua casa não foi atingida pelas águas, mas a catástrofe afetou diretamente a vida dela e de sua família.

Acostumada a conviver em sua residência com um número reduzido de pessoas, Dulce teve que abrigar as famílias de seu filho e do cunhado, pois eles residem no bairro Industrial da mesma cidade e suas respectivas casas ficaram completamente alagadas. De uma hora para outra, 14 pessoas passaram a conviver sob o mesmo teto. A princípio a alteração numérica foi um pouco tumultuada já que provocou mudanças na dinâmica da residência. “No primeiro instante ficamos abalados, pois sabíamos que viriam as dificuldades financeiras. Mas estávamos todos juntos e com saúde. Temos um ritmo mais lento. Com a nova rotina houve um número bem maior de pessoas para se alimentarem, usar banheiro, entre outras atividades. E ainda ficamos quatro dias sem o abastecimento de água, nos obrigando a adotar o racionamento”, recorda Dulce.

Poucos meses antes da tragédia que assolou o Rio Grande do Sul, a corretora tinha realizado investimentos na construção de um prédio e ainda havia adquirido moveis sob medida no pátio da casa de seu filho destinados a um escritório. Entretanto, a catástrofe climática provocou estragos irreparáveis: “foi muito triste. Fizemos esforços, estava tudo novo, mas a água veio e provocou destruição total. Como prédio ficou por uma semana submerso pela enchente, foi impossível que as madeiras resistissem”.

Como a corretora Sottanderle também está localizada no bairro Industrial, região afetada pela inundação, Dulce tem trabalhado de forma improvisada em sua residência. “Seguimos cuidando das renovações de nossos clientes, atendendo os sinistrados, orientando e até mesmo chorando junto com aqueles que tiveram suas casas inundadas”, ressalta com tristeza.

Mesmo vivenciando um momento de calamidade, ela encontrou motivos para sorrir e manifestar sua gratidão. A corretora recebeu cestas básicas e produtos de limpeza de clientes que souberam da situação da empresa e da família, após eles terem sido atingidos pelas enchentes. Mas Dulce teve ainda um apoio extremamente significativo: “a querida gerente comercial da Porto, Flávia Lotto, conseguiu liberar o crédito de um consórcio que eu tenho na Seguradora e com isso eu poderei utilizar esse recurso financeiro para um recomeço diante das perdas que tive”.

A catástrofe climática foi devastadora e pode ter abalado emocionalmente a sociedade gaúcha, mas na avaliação de Dulce o trágico evento também proporcionou na população grandes momentos de solidariedade e empatia. “Diante de toda tragedia que pude presenciar no bairro, vi o amor que existe no ser humano. Pessoas que não se conheciam se ajudaram, salvaram vidas humanas e de animais e o Brasil inteiro abraçou nosso povo. Na hora dos resgates e salvamentos, não existiram diferenças de cor, credo e time. Existiu somente amor”, finaliza.

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