A plenária do segundo dia do CQCS Inovação 2025, realizada em 12 de novembro, no Pro Magno Centro de Eventos, ganhou destaque com a apresentação de Martin Hinz, CEO global e cofundador da Convista. Atuando há três décadas em tecnologia para o setor de seguros, Hinz trouxe uma reflexão que vai além da digitalização e chamou atenção do público ao discutir os limites da tecnologia e a importância crescente das conexões humanas em um mundo cada vez mais virtual.
A Convista, empresa alemã que atua há 30 anos no desenvolvimento de soluções para finanças e seguros, mantém há 12 anos um hub em São Paulo, onde cerca de 200 profissionais trabalham em projetos de alta complexidade. “Nosso foco é a indústria de seguros e somos grandes especialistas nas áreas de finanças e seguros. Mas eu sou um cara da tecnologia há 30 anos”, afirmou, ao lembrar sua trajetória e o compromisso da empresa em apoiar seguradoras brasileiras nos processos de modernização. Em seguida, ele destacou o ponto central de sua fala: “Hoje quero enfatizar um tema que se torna cada vez mais relevante: os limites da digitalização e a importância das interações humanas.”
O executivo apresentou dados e observações sobre como a digitalização tem alterado comportamentos sociais, especialmente entre as gerações mais jovens. Ele questionou o impacto da substituição de interações reais por trocas virtuais e chamou atenção para o isolamento crescente. “Os encontros espontâneos estão desaparecendo. Estamos indo para um mundo com cada vez menos interações não planejadas entre pessoas”, afirmou. Para Hinz, as chamadas comunidades online não cumprem o papel das comunidades reais: “As gerações mais jovens não conhecem esses conceitos de comunidade física. Elas vivem em comunidades virtuais. Para mim, a ideia de ‘comunidade online’ é uma contradição.”
Hinz reforçou que a promessa da internet de conectar pessoas não se realizou plenamente do ponto de vista emocional. “A internet prometeu conexão, mas, do ponto de vista pessoal, ela ofereceu isolamento. A geração Z é a mais isolada que já tivemos”, destacou, mencionando pesquisas que apontam altos índices de solidão entre jovens. Ele lembrou que essa mudança de comportamento já provoca impactos reais na saúde, incluindo aumento de depressão, riscos cardíacos e queda no bem-estar social.
Ao trazer a discussão para o mercado de seguros, Hinz ressaltou que, mesmo diante da evolução tecnológica, a presença humana segue indispensável. Ele citou o comportamento dos consumidores na Alemanha como exemplo: “Mesmo com toda a digitalização, apenas 19% dos contratos são fechados de forma totalmente digital. Isso significa que mais de 80% ainda usam agentes ou corretores humanos. As pessoas gostam do conselho humano. Isso cria relacionamento e relacionamento é essencial para o seguro.” Em sua visão, a tecnologia deve fortalecer e não substituir o contato humano. “Tenho muita certeza de que o futuro será híbrido. A tecnologia deve apoiar, não substituir. Essa combinação é o que cria vantagem competitiva.”
Hinz defendeu que soluções de TI devem servir para potencializar a colaboração entre pessoas, e não reduzir interações ou distanciá-las. “As soluções de TI devem potencializar conexões humanas. Não podemos perder isso de vista”, afirmou, reforçando que a colaboração continua sendo o elemento central da indústria de seguros. Ele encerrou incentivando o público a aproveitar o CQCS para conversas reais, trocas e aproximação: “Vamos usar esta conferência para contatos pessoais. Estou feliz em conhecer todos vocês e espero encontrá-los ainda hoje.”
A fala de Martin Hinz deixou claro que, na visão da Convista, o futuro do setor de seguros não está apenas na tecnologia, mas no equilíbrio entre eficiência digital e humanidade. Uma reflexão que, em meio a tantas inovações apresentadas no CQCS, ressoou com força entre os profissionais do mercado.

