Um empresário está sendo acusado de xenofobia nas redes sociais após dizer que “teve dificuldades” para fazer seguros de vida para nordestinos em um período por “casos de má-fé” das pessoas da região.
O que aconteceu:
Uglio Scaravaglione, CEO da Genebra Seguros, disse que houve um período em que a empresa se deparou com “dificuldades” em fazer seguros de vida para nordestinos. Ele respondia a uma questão sobre a carência do seguro de vida no programa “Papo Certo”, transmitido pela Ulbra TV, afiliada da TV Cultura no Rio Grande do Sul, no último dia 28.
O CEO da empresa argumentou que a situação ocorria porque a empresa teria registrado “alguns casos horríveis de má-fé” com pessoas do Nordeste. Nas redes sociais, o empresário diz ser de Novo Hamburgo (RS).
Ele ainda usou como exemplo os questionamentos dos possíveis clientes sobre a carência do seguro. A carência é o tempo mínimo estabelecido pela seguradora para que a cobertura seja efetivada. “As pessoas já ligavam perguntando na mesma ligação, no mesmo momento, ‘se eu fechar o seguro de vida hoje, amanhã eu vou estar coberto?'”
Para o empresário, os questionamentos sobre o início da validade do seguro “já pressupõem, de alguma forma, uma previsão, digamos assim, de algo premeditado que venha a ser feito”. Ao terminar a declaração, Scaravaglione não respondeu ao questionamento sobre a carência do seguro de vida.
Nas redes sociais, diversos internautas apontaram xenofobia nas declarações do CEO.
“Essa é uma pergunta óbvia. É lógico que as pessoas querem saber, afinal de contas, pagamos seguros para ter cobertura. Todos os dias é um preconceito contra o Nordeste”, escreveu uma. “O que acontece por aqui? As pessoas estão perdendo a noção da fala. Total absurdo isso. Xenofobia pura. As pessoas precisam ser responsabilizadas pelo que falam”, escreveu outra. “Ué, quem faz um seguro não faz esse tipo de pergunta sobre cobertura e carência? Que fala carregada de preconceito.”
Já outros internautas afirmaram que a declaração do CEO é baseada em dados da empresa e não é xenofóbica. “O cara fala uma realidade que a empresa detectou, somente isso”, disse um. “Mas está afirmação dele é preconceito ou é a constatação de uma realidade? Acho importante analisar este tema sob perspectiva de uma degradação moral, cultural e coletiva que leva, sim, ao aumento do índice de fraudes”, comentou outro.
Em seu site, a Genebra Seguros diz ser uma “empresa focada na comercialização de seguros corporativos” e atuar como uma “corretora diferenciada, fundada por profissionais do mercado financeiro”. Ela conta com sedes físicas em Porto Alegre e São Paulo.
A reportagem tenta contato com a empresa e com Scaravaglione. O texto será atualizado tão logo haja manifestação.
“A gente teve até alguns fatos curiosos e até muito tristes: as mães no Nordeste queriam fazer [o seguro de vida] para os filhos pequenos e famílias muito carentes financeiramente. Infelizmente eram já pensando nesse óbito para ser restituído do valor. [Reação dos apresentadores] É muito triste” – Uglio Scaravaglione, CEO da Genebra Seguros.
Veja a declaração:

