Notícias | 13 de agosto de 2003 | Fonte: Gazeta Mercantil

Bancos, o maior alvo de fraudes no mundo

Uma em cada seis instituições financeiras já enfrentou crimes de lavagem de dinheiro nos últimos dois anos. As empresas do setor financeiro foram as que mais sofreram fraudes nos últimos dois anos. A conclusão é de uma pesquisa mundial da PricewaterhouseCoopers, que realizou mais de 3,6 mil entrevistas em mil empresas de diversos setores em 50 países (incluindo o Brasil). Um em cada seis bancos relatou a descoberta de crimes de lavagem de dinheiro nos últimos dois anos. No geral, 37% das empresas ouvidas mencionaram a descoberta de algum tipo de fraude no período.
A Price estima que as perdas mundiais com fraudes chegaram a, no mínimo, US$ 2,2 milhões no período. Mas este valor, segundo Paulo Michael Vanca, sócio da Price, deve ser muito maior que isso. A razão é que as perdas com fraudes são muito difíceis de serem quantificadas, especialmente no caso dos crimes feitos pela internet. Perto de 33% das empresas ouvidas na pesquisa destacaram que foram incapazes de calcular o valor das perdas. Outro problema é a recuperação dos valores perdidos: só 9% das companhias conseguiram reaver o que perderam.
Vanca destaca que o principal problema com fraudes não é financeiro, mas a reputação e a imagem da empresa, que sempre saem arranhadas: 47% das companhias destacaram um impacto duradouro dos crimes nos preços das ações. Há ainda a perda de clientes e fornecedores. “Uma empresa demora meses ou anos para recuperar a reputação perdida”, disse.
O tipo mais comum de fraude é a apropriação indevida de bens da empresa (com 60% das respostas). Aqui, dependendo do tipo de bem, a descoberta da fraude fica muito mais difícil. Em segundo lugar está a pirataria, com 19%.
Seguradoras
Depois do setor bancário, o setor de seguros é o que mais foi alvo de fraudes nos últimos dois anos. Aqui, os relatos das companhias são os mais diversos. Entre eles, pessoas que forjam acidentes em carros e outras que abusam dos planos de saúde. Entre as seguradoras pesquisadas, 49% relataram a descoberta de fraudes. Em terceiro lugar está o setor de telecomunicações e mídia, com 47%.
A pesquisa da Price revela que a maioria das empresas está despreparada para controlar e impedir as fraudes. Menos de 30% das companhias entrevistadas têm algum tipo de treinamento relacionado a fraudes. “Muitas empresas confiam em ferramentas intangíveis de prevenção aos crimes, como códigos de conduta e a ética dos profissionais”, destaca o relatório da Price. Entre os entrevistados, 33% responderam, incisivamente, que a responsabilidade para a prevenção e o gerenciamento dos crimes é da alta direção da empresa.
Olhando o futuro, boa parte dos entrevistados acredita que as fraudes vão aumentar nos próximos cinco anos. Na América do Sul e Central, 18% das companhias acham isso provável; nos Estados Unidos, este número salta para 29% empresas. Os norte-americanos acreditam que mais fraudes (semelhantes a das Enron) serão descobertas nos próximos, revela a pesquisa da Price.
Apenas na Europa Central e do Leste é que os executivos acreditam em uma redução das fraudes no médio prazo: 44% dos entrevistados acha isso provável. Segundo Vanca, que trabalhou na filial da Price em Praga por dois anos, logo após o fim dos regimes comunistas, na virada da década de 80 para a de 90, as fraudes na região eram muito comuns, mas com o fim do regime, o número caiu. kicker: Pesquisa da Pricewaterhouse mostra que perdas chegam a US$ 2,2 milhões
(Finanças & Mercados/Página B1)(Altamiro Silva Júnior)

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